Brasil vira o emergente com maior dívida

Em 2012, amargou a maior alta do endividamento entre os grandes países em desenvolvimento

25 de junho de 2013 | 2h 14
Fernando Nakagawa, correspondente – O Estado de S.Paulo

LONDRES – O Banco de Compensações Internacionais (BIS, o Banco Central dos bancos centrais) revelou que o Brasil ultrapassou a Índia e passou a carregar o título de grande emergente com a maior dívida bruta. Dados do Fundo Monetário Internacional indicam que o País passou a liderar o incômodo ranking porque, em 2012, amargou a maior alta do endividamento entre os grandes países em desenvolvimento. No ano passado, o País terminou com dívida bruta equivalente a 68,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

Dados do FMI mostram que a dívida bruta brasileira cresceu em 2012 o equivalente a 3,52 pontos porcentuais do PIB na comparação com o ano anterior. O número equivale a R$ 323,7 bilhões. Com esse desempenho, o Brasil terminou o ano passado com dívida bruta de R$ 3,014 trilhões.

Em relação ao PIB, o aumento da dívida brasileira foi o maior entre todos os emergentes do G20: África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, China, Coreia do Sul, Índia, Indonésia, México, Rússia e Turquia. Nesse grupo, os sul-africanos ficaram em segundo no aumento da dívida bruta, com 2,6 pontos no ano. Lá, porém, a dívida bruta é bem menor: 42,3% do PIB. Entre os demais países, a China diminuiu a cifra em 2,6 pontos do PIB, a Rússia em 0,8 ponto e a Índia aumentou em 0,5 ponto.

Mesmo com esse aumento observado na Índia, o salto visto no Brasil foi maior e, por isso, os brasileiros tomaram dos indianos o título de emergente com a maior dívida bruta. Na Índia, o indicador terminou 2012 em 66,8% do PIB. Desde 2006, a Índia liderava o ranking. Antes, a Argentina ocupava o posto.

No domingo, o BIS citou em relatório que o Brasil opera a dívida bruta em um campo considerado inseguro. Mesmo com a ressalva que “não existe uma regra exata para definir metas para dívida”, “cálculos supõem um nível seguro para a dívida de 60% do PIB para economias avançadas e de 40% do PIB para economias emergentes”.

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