05/11/10 – 10:27 > POLÍTICA ECONÔMICA
Cenário de 2011 tem PIB e inflação em alta

Fernanda Bompan/ Karina Nappi (DCI)
Economistas estão otimistas com o primeiro ano de governo da presidente eleita, Dilma Rousseff. Eles projetam que a economia brasileira deve crescer até 5% em 2011, depois de um crescimento projetado de até 7,5% para o Produto Interno Bruto este ano. É o que mostra a pesquisa feita pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e as análises da Tendências Consultoria, ambas divulgadas ontem.

Levantamento realizado pela Febraban entre os dias 28 de outubro e 1º de novembro mostra que a projeção mediana de 30 analistas consultados é de crescimento do PIB em 7,5% neste ano e de 4,5% no ano que vem. O economista-chefe da federação, Rubens Sardenberg, explica que o alto percentual estimado para 2010 se deve à base fraca de comparação (2009), mas a continuidade desta expansão no ano seguinte é positiva. Da mesma forma entende o ex-ministro da Fazenda e sócio da Tendências, Maílson da Nóbrega: ele espera que o PIB de 2010 avance 7,2% e, de 2011, cresça 4,8%.

Contudo, o ex-ministro comenta que o potencial de crescimento atual da economia brasileira (aquilo que o País pode avançar sem ter problemas) é de 4,5% ou 5%. “Com o aumento da taxa de investimento para 25% do PIB, poderíamos pensar em crescer 6%. Hoje, avançar acima de 5% pode fazer com que corram desequilíbrios, provocados, por exemplo, pela alta da demanda interna, que resulta no aumento das importações [de modo a prejudicar a balança comercial], assim como gera inflação”, analisa.

Por outro lado,os economistas estão preocupados com a inflação e com o excesso de impostos e gastos públicos. Para os analistas consultados, o IPCA deve fechar 2010 a 5,2%, acima do centro da meta (4,5%), e 2011 deve encerrar a 4,9%. “Não é uma projeção alarmante, mas demonstra sinal de preocupação”, avalia Sardenberg. Nóbrega prevê IPCA a 5% em 2010 e a 5,2% em 2011.

Entre janeiro e setembro deste ano, as empresas brasileiras enviaram ao exterior US$ 18 bilhões. O valor é 125% superior à saída de recursos em todo o ano passado (US$ 8 bilhões). A principal razão deste crescimento, segundo os analistas, é o crescimento da carga tributária no País. Entre os setores que se destacam no investimento brasileiro no exterior, a liderança é das empresas de serviços financeiros, com US$ 7,149 bilhões de janeiro a setembro.

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