23/09/10 – 00:00 > FINANÇAS
Crédito para empresas cresce a R$ 868 bilhões

Eduardo Puccioni
SÃO PAULO – O crescimento da economia brasileira possibilitou um forte aumento da oferta por crédito. De acordo com dados do Banco Central do Brasil (BC), as operações de crédito do sistema financeiro para pessoa jurídica totalizaram, em agosto de 2010, R$ 868,1 bilhões, representando um aumento de 19,1% nos últimos 12 meses. No mês passado o crédito registrou crescimento de 2,5%. No ano, a oferta do crédito aumentou 11,5%.

Para Alcides Leite, economista professor da Trevisan Escola de Negócios, alguns fatores colaboraram muito para o aumento do crédito. “Acredito que a redução dos juros para o consumidor, o aumento da renda e o crescimento dos investimentos com expansão da economia tenham colaborado para a alta”.

O economista revela que prevê um crescimento da oferta de crédito nos próximos meses. “Aposto no crescimento e acho que as eleições de 2010 não influenciarão o crescimento econômico brasileiro”, afirma.

Os recursos direcionados -crédito destinado, na sua maioria, pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)- finalizaram o mês de agosto com uma oferta de R$ 346,6 bilhões, com crescimento de 31,9% em 12 meses e alta de 3,8% no mês passado.

“O que possibilitou este crescimento foi a forte oferta de crédito colocado no mercado pelo BNDES, por crédito habitacional e por crédito agrícola”, explica o professor da Trevisan.

Por parte dos recursos livres, o aumento foi de 11,9% nos últimos 12 meses e de 1,7% em agosto, finalizando o período com volume financeiro de oferta no valor total de R$ 521,5 bilhões. “Isso é reflexo do aumento da renda e da taxa de juros”, acrescenta Alcides Leite.

O volume total de crédito, tanto para pessoa física quanto para pessoa jurídica, encerrou agosto em R$ 1,582 trilhão, o que corresponde a crescimento de 19,2% em 12 meses. No mês passado, o aumento do saldo em carteira nas instituições financeiras foi de 2,2%, enquanto no acumulado do ano o percentual de crescimento de 11,9%.

O BC refez as contas e passou a prever que os bancos públicos devem novamente liderar a expansão do crédito em 2010. As projeções mostram que a previsão de elevação da carteira das instituições financeiras estatais subiu de 20% para 24% no ano.

Ao mesmo tempo, foi revisada para baixo a expectativa de expansão da carteira de crédito das instituições financeiras privadas nacionais, de 24% para 22%. Dessa forma, os bancos privados nacionais, que liderariam o mercado até a previsão anterior, foram ultrapassados pelos públicos. A previsão do BC para o crescimento das carteiras de crédito das instituições estrangeiras subiu expressivamente, de 9% para 14%.

Durante a crise financeira iniciada em setembro de 2008, os bancos estrangeiros foram os que mais contraíram a oferta de crédito pela falta de liquidez nos mercados internacionais. Com o aumento da aversão a risco, essas instituições cortaram a oferta de crédito nas sedes e também nas subsidiárias. No mercado brasileiro, essa retração foi compensada pela ação mais agressiva dos bancos públicos.

Crédito x PIB

O professor de Economia da Trevisan ressaltou que o volume de crédito no sistema financeiro nacional atingiu 46,2% do Produto Interno Bruto (PIB). “Chama a atenção a evolução do crédito habitacional, que cresceu 51% nos últimos 12 meses, atingindo R$ 120,6 bilhões, ou 3,5% do PIB”, destaca Alcides Leite.

Alcides lembra que “embora o volume de crédito continue crescendo, ele ainda é bastante inferior à aquele concedido nos países desenvolvidos, que ultrapassa 100% do PIB”.

O crédito habitacional no Brasil também é ainda muito baixo. Em países com desenvolvimento econômico semelhante, como, por exemplo, Chile e México, este crédito ultrapassa 15% do PIB. “Vemos, portanto, que há ainda muito espaço para o crescimento do crédito no Brasil, em todas suas modalidades. Os altos juros são o maior obstáculo a este crescimento”, finaliza o professor.

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