Anna França (DCI) SÃO PAULO – 

A indústria brasileira não tem só problemas conjunturais. Questões estruturais podem, sim, fazer com que o setor perca competitividade. Enquanto a China tem uma formação de capital bruto (soma de recursos disponíveis para investimento) em torno de 43% do seu Produto Interno Bruto (PIB), o Brasil só chega a 20%.

“E precisa elevar isso a 29% se não quiser ter um atraso ainda maior”, diz o professor do MBA Profuturo da Fundação Instituto de Administração (FIA), Carlos Honorato.  Segundo ele, o País precisa ter uma visão mais estratégica de futuro se quiser continuar competindo. “Claro que não dá para falar que já perdemos a guerra, mas também não dá para continuar pensando que para tudo tem um ‘jeitinho'”, acrescenta.  Para o professor da FIA, o País tem um câmbio muito valorizado e custos pesados demais para quem quer produzir.  “Não é só a China que consegue ser competitiva, é que o Brasil  está mais caro”, diz.  O País empaca também em quesitos fundamentais, como a falta de inovação e de formação de mão de obra qualificada. “Há uma baixa formação da força de trabalho, com analfabetismo funcional. Além disso, os esforços para reduzir o déficit de pessoal mais qualificado ainda não surtiram os efeitos desejados, em termos do aumento dos níveis de produtividade e qualidade na indústria”, explica o professor de Administração Industrial da Fundação Vanzolini, João Amato. Recentemente o governo adotou medidas, mas que são facilmente contestáveis na OMC, como o índice de nacional de peças (local content), que está proibido pelas regras, segundo o ex-ministro da Fazenda, Rubens Ricupero. “O jeito é enfrentar problemas como o custo do capital, a questão do câmbio e os impostos. Coisas que dão competitividade,  não só aliviam.” 

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