15/10/09 – 00:00 > FINANÇAS (DCI) – Pedro Lívio

SÃO PAULO – O volume de capital disponível para investimentos – mais conhecidos como dry powder – atingiu um nível e também uma proporção recorde em relação aos recursos investidos, informou um estudo feito pela IESE Business School, da Espanha, em parceria com o Boston Consulting Group (BCG)e divulgado ontem. São US$ 550 bilhões em recursos compromissados por grandes investidores, como fundos de pensão.


O grupo entrevistou 30 dirigentes de instituições dos Estados Unidos e da Europa e também utilizou dados públicos e privados por meio de bancos.

As conclusões, apontadas por Heino Meerkatt, diretor do BCG, e Heinrich Liechtenstein, professor do IESE, revelam que em 2007, era de US$ 460 bilhões, e em 2006, de US$ 380 bilhões o volume de recursos disponíveis. A disponibilidade de recursos neste ano é 2,5 vezes maior que a registrada há poucos anos, enquanto a proporção desse montante para o de capital investido ficou em 6 para 1 – poucos anos atrás, era de 2 para 1.

Para os autores do livro branco Driving the Shakeout in Private Equity (“Orientando as Transformações no Private Equity”, em tradução livre) o crescimento do setor nos mercados em questão atraiu o volumoso fluxo de capitais, mesmo com a crise internacional, principalmente porque o dry powder é focado em operações de longo prazo, os compromissos firmados até então foram feitos sob a perspectiva de crescimento econômico mundial.

Poucos cotistas, segundo o documento, devem abandonar ou reduzir seus compromissos de oferta de capitais, mas, como o perfil dos investidores em empresas de private equity é heterogêneo, os negócios do setor serão afetados em níveis diferentes.

Apesar do otimismo do mercado e do momento pós-crise, alguns cotistas dificilmente conseguirão honrar seus compromissos, ainda de acordo com o estudo, situação que pode levar algumas empresas ao colapso e talvez permita uma grande transferência de poder para eles.

Escassez

Segundo o professor Meerkatt, a escassez de empresas postas à venda pode explicar a diferença de proporção entre o capital compromissado e o investido. “Com a crise e escassez de crédito e a falta de companhias à venda, a taxa de investimentos caiu muito e, em consequência, a proporção [entre esses montantes] saltou.”

Para Alcides Leite, professor do Mercado Financeiro da Trevisan Escola de Negócios, um certo pessimismo com os investimentos, afetados pela queda de crédito provocada pela crise, deve ter impulsionado a redução dos investimentos das empresas do setor. “Acho que a escassez de empresas à venda no mercado não está tão relacionada com esse movimento. O maior problema é a queda do nível da atividade econômica internacional, a falta de liquidez nos mercados.”

Para o professor, os números do estudo demonstram que os investidores ficaram mais cautelosos durante a crise. “É tudo reflexo do momento que passamos. Com a crise, os bancos centrais foram obrigados a derrubar as taxas de juros e o crédito ficou escasso, mas as coisas começaram a melhorar agora.”

Potencial

Há interesse em fazer investimentos, diz José Góes, economista da WinTrade, mas a crise “deixou muito difícil saber qual setor continuará a ser atraente”. No entanto, mesmo com dificuldade de antever as perspectivas, o Brasil deve atrair capital desses fundos. “O potencial do País de atrair esse dinheiro é gigante. É natural que essas empresas procurem o País para investir.” Leite diz acreditar que o setor deve focar o bilionário montante em países que apresentem condições de se desenvolver de maneira sustentável por um longo período, como o próprio Brasil. “Esse mercado no Brasil inclusive tem registrado crescimento.”

A Copa do Mundo de 2014 e o pré-sal vêm provocando uma maior concorrência dos fundos de private equity no País e, em consequência, a busca de bancos comerciais por parcerias para atuar no setor. Bradesco e Pine já fizeram as suas e saíram na frente de outras instituições.


 

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