Geomarketing: Pensamento global, vendas locais

Qua, 17 de Novembro de 2010 01:00

A cada dia, ouvimos mais pessoas falando sobre o conceito de globalização. Mas, já parou para pensar como ele afeta o relacionamento entre você e seus clientes? No campo das práticas de marketing, há uma vertente que se preocupa com a relação das variáveis de uma certa região e o que é ofertado para o mercado: o Geomarketing.

Essa ferramenta é promissora no sentido de definir, com parâmetros da Geografia, os principais perfis dos clientes de acordo com o local em que vivem. Na realidade, isso possibilita que você tenha indicadores mais assertivos para ações direcionadas. Em um país de proporções continentais como o Brasil, é importante ter no que se basear para definir suas ações por área de interesse. Na implantação de uma nova marca ainda não existente num certo local, por exemplo, é possível desvendar as necessidades dos consumidores de forma precisa.

Nesse sentido, uma das vantagens é poder estabelecer distinções comportamentais com base em dados sobre as práticas sócio-econômicas e culturais predominantes, como hábitos religiosos e influenciadores de compra. Por exemplo, onde há foco na agropecuária, novos maquinários que facilitem o trabalho do agricultor terão mais expressividade do que em lugares em que a atividade econômica principal está ligada a elementos urbanos, como o turismo de negócios.

Na conquista dos diferentes clientes é essencial conhecer o legado histórico do local onde se deseja investir. Assim, podemos aprender com empresas que deram certo para propor soluções inovadoras. Como referência, vamos analisar o caso do famoso Guaraná Jesus, ícone do Maranhão. Criado em 1920, o refrigerante rapidamente caiu no gosto dos habitantes e, por sua força e tradição, nem mesmo sendo adquirido pela gigante Coca-Cola, em 2001, teve suas características alteradas.

Outro bom exemplo para refletirmos sobre o papel do Geomarketing é o segmento dos hipermercados. É o caso do Pão de Açúcar, que busca satisfazer seus diferentes clientes por meio de medidas diversificadas, como portfólio customizado e disposição das gôndolas. As lojas dessa rede de varejo criam não só ofertas especiais para cada região, mas, também, identificam os hábitos de consumo mais fortes. Resultado: maior aproximação entre a empresa e seus públicos de interesse.

É justamente o contato personalizado com seus clientes que vai diferenciar sua empresa das outras. Nesse sentido, na mesma linha do Geomarketing, o social commerce tem ganhado espaço. Mesmo sendo um conceito antigo, é capaz de lhe dar ideias para a criação de comunidades focadas em determinados produtos e serviços. Isso tem sido visto mais frequentemente nas redes sociais, que possibilitam aos grupos de discussão, formais ou não, opinar sobre o que as empresas oferecem ao mercado.

Compreenda a imensa variedade de consumidores e como eles estão distribuídos no país e no mundo. O Geomarketing é uma das melhores formas de fazer esse mapeamento, base para estratégias de criação/solidificação da sua imagem. Fique atento, pois mesmo estando em um mundo formado por bilhões de pessoas, cada cliente é único. Acredite nisso e seja indispensável na vida de todas elas.

Gilberto Wiesel é conferencista, consultor e diretor do Grupo Wiesel que atua na área de Educação Corporativa com foco em liderança, empreendedorismo e desenvolvimento de competências. Administrador de empresas pós-graduado em Marketing pela FGV. É Master-Practitioner em Programação Neurolinguistica pela Sociedade Brasileira de PNL e membro da Time Line Theraphy Association, Hawai-USA. Para mais informações, acesse: www.gilbertowiesel.com.br

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