Gustavo Machado (DCI)

São Paulo – O crescimento zero registrado no terceiro trimestre deste ano já abre espaço para uma discussão sobre as causas dessa estagnação, e também uma revisão das projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano.

Octavio de Barros, diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos da Bradesco Corretora, afirma que o freio da economia brasileira foi acionado pelo Banco Central. Segundo o diretor da Bradesco Corretora, a crise europeia é apenas a “cereja do bolo” da desaceleração brasileira. “80% de toda desaceleração brasileira em curso, sobretudo esta, recente, têm relação com ações domésticas implementadas”, quantifica.

Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), admitiu que o desaquecimento da economia brasileira teve como fator influente maior as medidas macroprudenciais adotadas ao final de 2010. Hamilton afirmou que o Banco Central possui uma visão de que a inflação está se moderando, o que já era esperado com a tomada de medidas necessárias. Segundo o diretor, no último ano havia um “desequilíbrio que se mostrava bastante acentuado pelo aumento da demanda, não da oferta”.

Enquanto isso, o mercado já começa a rever suas projeções para a economia brasileira no corrente ano e em 2012. O Boletim Focus, com pesquisa feita pelo Banco Central, revela que o mercado financeiro espera um crescimento de 2,97% do PIB para este ano, e 3,4% em 2012. Esta é a primeira vez em que o mercado projeta uma evolução da economia abaixo de 3% para 2011. O economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, disse que a projeção da instituição para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano é de um crescimento de 2,8%. De acordo com ele, o PIB da agropecuária deve aumentar 1,6%; o da indústria, 1,7%; e o de serviços, 3%. A agência de classificação de risco Fitch também rebaixou ontem sua previsão de crescimento da economia do Brasil em 2011 para 2,8%, da estimativa anterior de 3,5%. Outro órgão internacional, a OCDE, divulgou relatório ontem em que constata que é do Brasil o segundo pior desempenho econômico dentre 34 países no terceiro trimestre, atrás somente da Índia.

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