Implantação do IFRS 9 vai além dos padrões contábeis

Principais áreas envolvidas são Controles Internos, Gestão de Risco, Compliance, Controladoria, Relações com Investidores, Auditoria Interna, diferentes comitês e Conselhos

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O IFRS 9 (International Financial Reporting Standards 9), que passa a valer a partir de 01/01/2018, traz muito mais do que novos padrões contábeis, mas a necessidade de rever toda a estrutura de governança, capacitando as áreas envolvidas para esta nova realidade.

Empresas de todos os setores e principalmente instituições financeiras que seguem os padrões contábeis internacionais devem implementar o IFRS 9.  “Trata-se da maior alteração desde a criação do IFRS, motivada principalmente pela crise de 2008, em derivativos e ativos tóxicos, onde todos os stakeholders tiveram expressivas perdas que não puderam ser previstas”, explica Gilberto Souza, sócio da área de Mercado de Capitais da Deloitte.

Principais mudanças

O IFRS 9 propõe mudanças significativas em projeções de resultados, pagamento de dividendos e percepção de valor de mercado das empresas. Deve gerar impactos maiores nas instituições financeiras, considerando-se o efeito no volume e a volatilidade de provisões para perdas. Espera-se, ainda, que afete o índice de Basileia, que mede a relação entre o capital das instituições financeiras e os recursos emprestados.

Hoje, a contabilidade, através do CPC 38 (IAS 39), apura perdas incorridas. Com a nova norma, será necessário contabilizar também uma provisão para perdas esperadas.

“Deve-se determinar uma probabilidade de perda esperada nas suas transações e contabilizá-la da melhor maneira. Para isso, será necessário estabelecer métricas estatísticas de comportamento histórico do devedor. O gerenciamento da base de dados dos bancos passa a ser ainda mais fundamental”, argumenta.

Estrutura de Governança

Gilberto Souza explica os impactos da nova norma: “áreas como Tecnologia, Controles Internos e Governança Corporativa serão bastante afetadas. As unidades de Finanças, Controladoria e Relações com Investidores também estão nesta lista, tanto por conta do aumento dos requerimentos de divulgação impostos pela adoção do IFRS 9, quanto pelo maior grau de transparência nos princípios, organização e informações”.

Segundo ele, também são esperados o aumento de controles internos para validação do modelo adotado e análise dos resultados produzidos, seus impactos no patrimônio líquido, lucro, gestão de dividendos e projeções de resultados. Pode gerar impacto também na formação de preços, além da preocupação em manter o nível de qualidade dos dados.

“Ainda que não haja incremento nos níveis de inadimplência, é preciso quantificar adequadamente o risco. É necessário conhecer muito bem os clientes, sua carteira de crédito e contas a receber. Quanto melhor a empresa gerenciar seus riscos de crédito, menor o impacto nos dividendos e nas ações da companhia”, explica.

Como se preparar?

Embora a norma entre em vigor apenas em 2018, Gilberto Souza esclarece que a adaptação deve começar bem antes. “As informações financeiras, pela nova regra, devem ser divulgadas de forma comparativa: em relação ao menos a 2017. Sendo assim, as empresas já deveriam olhar hoje para estes dados, de forma a reunir indicativos que proporcionem esta comparação”.

Para o consultor, este processo, em bancos, por exemplo, leva cerca de dois anos para ser realizado satisfatoriamente, dependendo do seu porte e complexidade.

10 aspectos a observar

1 – Comunicação: informar e instruir todas as áreas envolvidas da empresa.
2 – Gestão da base de dados
3 – Gestão e desenvolvimento de modelos de crédito
4 – Gerenciamento do projeto
5 – Treinamento das áreas envolvidas
6 – Política de divulgação ao mercado: informações ao investidor
7 – Estratégia comercial: no caso dos bancos, poderá haver impacto nas taxas de juros, em função da gestão do risco de crédito. Deverão avaliar estratégia de descontinuar produtos pouco rentáveis, por exemplo.
8 – Tecnologia: desafio de criar ferramenta para cálculo de perda esperada e implementá-la no dia a dia, diante de constantes mudanças tecnológicas.
9 – Impacto no índice de Basileia: para alguns bancos, será necessário pensar em alternativas para captar recursos.
10 – Impacto no resultado: quanto melhor gerenciar o risco de crédito, menor o impacto no patrimônio e no lucro dos bancos

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Matéria: Deloitte

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