Gestão interina para enfrentar crise

A gestão interina para enfrentar crise sempre é um decisão que visa tornar eficiente a administração das empresas e seus resultados.


Empresas recorrem à gestão interina para enfrentar crise

Aumenta o número de companhias, em sua maioria familiares e no vermelho, que tem entregado comando a consultorias com equipes especializadas em arrumar a casa

O empresário Christian Bennecke, seu pai e avô já driblaram diferentes crises econômicas para manter as portas abertas da Corneta, fabricante de ferramentas e autopeças criada pelo avô de Bennecke. Mas, desta vez, ele pediu ajuda. Para salvar a empresa, o empresário bateu às portas da consultoria de gestão Naxentia em dezembro passado e contratou executivos interinos para tocar o negócio e arrumar a casa.

Alguns funcionários subiam no telhado da fábrica para fazer pirraça com os jogadores do time, prática que deu origem à expressão “corneteiro”, usada até hoje no futebol. Ao longo dos anos, a fábrica mudou para Osasco e o negócio de ferramentas foi perdendo espaço para a produção de autopeças, especialmente para o segmento de motos, que hoje representa 90% da receita da companhia.

Com a queda da venda de motos nos últimos anos, a Corneta sofreu junto. Sua receita vinha encolhendo e, sem conseguir cortar os custos na mesma proporção, a empresa ficou no vermelho. “Se continuássemos nesse ritmo de perdas, iríamos caminhar para a recuperação judicial”, admitiu Bennecke.

Os acionistas chegaram a abrir um processo seletivo para recrutar um CEO para a companhia, mas acabaram optando por contratar uma consultoria para fazer a gestão interina da empresa. “Os head hunters (recrutadores) nos apresentaram bons candidatos. Mas entendemos que precisamos de uma solução multidisciplinar, com vários executivos em frentes diferentes. Não acredito que um CEO super-herói vá salvar a empresa”, disse o empresário.

Desde dezembro, a Corneta tem três executivos da consultoria Naxentia no comando – um CEO, um diretor financeiro e um executivo para a área de controles internos (controller). A missão deles é retomar a rentabilidade da empresa.

Assim como a Corneta, diversas empresas tiveram de buscar ajuda para se ajustar à crise. De acordo com oito consultorias que oferecem o serviço, consultadas pelo Estado, como Galeazzi & Associados, McKinsey, Corporate Consulting, Strategos e Alvarez&Marsal, a demanda pela gestão interina cresceu significativamente este ano.

Segundo as consultorias, os principais clientes são empresas familiares com prejuízos e problemas de liquidez. E há demanda generalizada pelo serviço, com destaque para o setor industrial, especialmente as empresas de autopeças, máquinas e equipamentos e construção civil.

Ajuste de contas.Desde que assumiu o comando da Corneta, a equipe da Naxentia teve de demitir e elevar preços, além de renegociar com fornecedores. “O foco é resultado. O contexto exige que a empresa se adapte e enxugue a operação”, disse o consultor da Naxentia e atual presidente da Corneta, Oswaldo Cochrane.

Nos tempos áureos de vendas de motos aquecidas, a Corneta faturava R$ 100 milhões e tinha quase 600 funcionários. Hoje a empresa tem 400 pessoas e deve faturar R$ 60 milhões este ano. De margem negativa em 5%, a meta é ficar no zero a zero em 2015 e voltar a lucrar só em 2016. Então, os executivos se despedirão e vão arrumar outra casa.

Economia – Estadão

Endividamento das empresas brasileiras

 Endividamento das empresas brasileiras

 As empresas brasileiras precisam analisar o seu endividamento com muito cuidado. As atividades empresariais estão muito lentas e a redução das expectativas deve permear o planejamento com o horizonte de, pelo menos, um ano. Outro foco são a alterações que possam ocorrer com a legislação oriundas, principalmente, do governo federal.


Dívida das empresas no Brasil é preocupante, diz IIF

O endividamento de empresas brasileiras cresceu rápido e atingiu nível preocupante, afirma o Instituto Internacional de Finanças (IIF, na sigla em inglês), formado pelos maiores bancos do mundo, em uma análise do aumento do endividamento nos países emergentes divulgada ontem.

“Em particular, países como China, Cingapura, Turquia, Brasil e Rússia viram as dívidas corporativas aumentarem muito rapidamente para níveis preocupantes”, afirma o IIF.

No geral, os passivos das empresas nos emergentes subiram de 60% do Produto Interno Bruto (PIB) para 85% nos últimos sete anos. Muitas companhias aproveitaram os juros próximos de zero nos países desenvolvidos para captar no mercado internacional.

Em um cenário de baixo crescimento econômico e da elevação de juros nos Estados Unidos, que pode ocorrer ainda este ano, o IIF prevê que muitas empresas de países emergentes podem ter de reestruturar suas dívidas. Taxas mais altas no mercado norte-americano encarecem os custos de novas captações e de refinanciamento dessas dívidas. Além do IIF, o Fundo Monetário Internacional (FMI) já emitiu alertas recentes sobre o aumento dos passivos corporativos nos países emergentes.

Risco

O IIF destaca que não foram apenas os passivos das empresas que aumentaram muito nos últimos anos. As dívidas dos países também cresceram, o que aumenta o risco de default, destaca o relatório, que lembra a complicada situação da Grécia e menciona ainda potenciais problemas na Ucrânia e em Porto Rico, território no Caribe que pertence aos Estados Unidos e que já avisou que não tem como honrar uma dívida de US$ 72 bilhões.

O desafio de empresas e de governos será lidar com um endividamento alto em um ambiente de baixo crescimento econômico, de acordo com o instituto.

“É importante tirar as lições certas para se chegar a um quadro adequado para a reestruturação de dívidas que oriente ações dos governos e as expectativas do mercado e a correta precificação do risco”, destaca o relatório.

A falha em lidar com essa questão pode aumentar a incerteza no caso de qualquer crise de dívida podendo ter impacto negativo nas perspectivas para a atividade econômica mundial.