LEI DA TERCEIRIZAÇÃO CHEGANDO

Sancionada em março deste ano, a Lei da Terceirização (13.429) vem sendo analisada com cautela pelas empresas, que aguardam decisões quanto à Reforma Trabalhista, em tramitação no Senado.

“A Lei da Terceirização não está consolidada, não traz muitas obrigações em relação aos trabalhadores, o que talvez seja melhor esclarecido com a Reforma Trabalhista, por isso as empresas aguardam sua finalização para agirem”, explica Fernando Azar, sócio da área de Consultoria Tributária da Deloitte.

O consultor, entretanto, ressalta que a publicação da Lei sobre Terceirização foi bastante positiva, pois proporciona uma segurança jurídica que, até então, não existia, referindo-se principalmente à permissão da terceirização da atividade-fim, um dos pontos mais importantes da Lei.

Antes dela, não havia uma definição do que a empresa podia, de fato, terceirizar. “Essa medida possibilita às empresas a tomada de decisão muito mais estratégica”, argumenta Azar.

CENÁRIO DA TERCEIRIZAÇÃO

Levantamento inédito realizado recentemente pela Deloitte e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que, nos 17 países analisados, não há distinção entre atividade-meio e atividade-fim para regular a terceirização.

“Não há restrição sobre quais etapas do processo produtivo podem ser delegadas a outras empresas. Na maioria dos países ainda não há legislação específica sobre o tema, sendo que as relações de trabalho são regidas pelas respectivas leis trabalhistas”, explica Sylvia Lorena, gerente-executiva de Relações do Trabalho da CNI.

“O principal ponto é que, em outros países, não há restrição quanto à terceirização da atividade-fim e não houve correria para se terceirizar, nem precarização de atividades, nem desemprego. Tudo fluiu bem, com bons resultados”, relata Fernando Azar.

Sylvia concorda, esclarecendo que a falta de definição clara entre “fim” e “meio” motiva conflitos e aumenta a distância entre o Brasil e outros países, fazendo com que as empresas brasileiras percam espaço para a concorrência no mercado internacional.

ESTRATÉGIA E QUALIDADE COMO FOCO

“Em todo o mundo, com a terceirização, as empresas buscam a especialização e a incorporação de tecnologias que elas não possuem, o fornecimento de bens ou serviços que possam levar a ganhos de eficiência e de produtividade em seu processo fabril, diz Sylvia Lorena.

Do ponto de vista das empresas de menor porte, a terceirização significa uma forma de buscar no mercado uma parceira com estrutura e expertise para realizar uma etapa fabril para a qual elas não têm capital ou capacidade técnica de realizarem sozinhas, ampliando sua possibilidade de crescimento no mercado.

“A expectativa agora é de que, com uma norma alinhada à prática consolidada no plano internacional, o empreendedor brasileiro e o investidor internacional deixem de sofrer com uma ultrapassada fonte de incerteza”, pondera Sylvia.

E continua: “nenhuma empresa hoje, seja no Brasil ou no mundo, é capaz de fazer tudo sozinha. Por isso, busca parceiras que agreguem ganhos de eficiência, permitam o intercâmbio e a absorção de novas tecnologias em etapas do processo produtivo de uma empresa”.

“É sempre válido reforçar que a terceirização não tem por finalidade a redução de custos, mas sim buscar a especialização. Trata-se de algo estratégico para as empresas, para que ganhem competitividade e conquistem mais espaço em seu mercado”, concorda Fernando Azar.

ATENÇÃO AO COMPLIANCE

Como qualquer decisão estratégica de uma empresa, a terceirização precisa levar a resultados positivos, como ganhos de produtividade e de eficiência. Assim, a prática exige uma análise prévia detalhada e a escolha criteriosa de parceiros que prestarão o serviço específico.

Destaca-se a necessidade de atenção ao Compliance, verificando se o terceiro cumpre a legislação (anticorrupção, trabalhista, previdenciária, tributária, etc.), observando condições que oferece aos seus trabalhadores, qualidade dos serviços prestados, integridade, entre outros. “A empresa não pode contratar um terceiro sem se preocupar com aspectos que possam gerar danos à sua imagem e reputação”, alerta Azar.

SAIBA MAIS EM DELOITTE

Uma empresa pode funcionar sem executivos

Empresa sem chefes testa gestão virtual

Uma empresa pode funcionar sem executivos ou gerentes ou um conselho de administração? É o que uma das experiências mais radicais na área de tecnologia quer descobrir.

Um grupo chamado DAO, sigla em inglês para Organização Autônoma Descentralizada, está administrando a si próprio via códigos de computador em uma rede. Cada detalhe operacional, da governança às operações do dia a dia e os cronogramas de pagamento, é inserido no código que possibilita que a empresa funcione. Não há documentos corporativos, conselho ou diretor-presidente.

A DAO lançou um “crowdfunding”, uma campanha para financiamento coletivo, em 30 de abril. Ela não está arrecadando dinheiro em dólar ou mesmo na moeda virtual bitcoin. Em vez disso, está captando por meio da plataforma Ethereum, uma versão alternativa da bitcoin.

A DAO planeja usar os recursos arrecadados para financiar “startups” que criem aplicativos para a Ethereum. Até sábado, a DAO havia captado mais de US$ 107 milhões, segundo a carteira digital do grupo que pode ser visualizada por todos na Ethereum.

Isto já torna a DAO uma das startups mais capitalizadas em moedas virtuais. A maior captação para uma startup de capital fechado nesse campo tecnológico foi de US$ 116 milhões, realizada pela 21 Inc. em março de 2015.

A rodada de captação da DAO termina em 28 de maio. Ela já ultrapassou os US$ 75 milhões obtidos pela Coinbase, os US$ 60 milhões captados pela Digital Asset Holdings e os US$ 55 milhões da Blockstream.

O grupo que criou a DAO, principalmente pessoas do grupo de desenvolvedores da Ethereum, esperava captar cerca de US$ 20 milhões, segundo Stephan Tual, da startup slock.it, que escreveu os códigos da DAO. “É realmente surpreendente” ver o total captado até agora, diz ele.

O financiamento coletivo funciona dessa forma: a DAO está aceitando o ether, a moeda criptografada usada na Ethereum, em troca de tokens da DAO. Para cada ether investido, 100 “tokens” da DAO são criados. Eles funcionarão como uma moeda interna.

Os fundos são depositados na carteira digital da DAO na rede da Ethereum. Como a bitcoin, todas as transações são públicas e visíveis em sites como o Etherscan.

“É o primeiro experimento real que nós estamos vendo de uma governança ‘programável’ além da bitcoin ou da Ethereum como sistemas próprios”, diz Fred Ehrsam, um dos fundadores da startup de bitcoin Coinbase. Ehrsam diz que não está envolvido no projeto, mas investiu uma pequena quantia nele.

De certa forma, a DAO é como qualquer fundo de capital de risco tradicional e assume claramente que é uma empresa que busca lucro. Mas um capitalista de risco não decide quem vai ser financiado.

Em vez disso, todo mundo com tokens da DAO tem direito de voto proporcional à quantidade de tokens que possui para escolher os futuros candidatos a receber financiamento. Se a startup é aprovada na votação, ela consegue o financiamento.

Todos os detalhes do processo, do montante do financiamento até o seu tipo específico, se a DAO fica com um percentual dos lucros ou uma participação acionária, serão definidos antecipadamente na proposta.

“Ele não é guiado por leis e jurisdição”, diz Tual. “Ele é guiado pelo código.”

Ainda assim, a DAO, como uma experiência viva, certamente receberá críticas de todos, desde investidores até reguladores de governo mundo afora. Tudo sobre ela é novo, admite Tual, e terá que ser testado em situações do mundo real. Ele diz estar em contato com autoridades do governo e reguladores em alguns países europeus e que está otimista com o que vem escutando.

“As pessoas supõem que o governo vai criticar a experiência”, diz. “Eu acho que eles vão apoiá-la.”

Ativos estão à venda no país

Com crise, R$ 150 bi em ativos estão à venda no país

São Paulo – Algumas das grandes empresas brasileiras sairão menores da crise e outras poderão até ficar pelo caminho.

Neste momento, cerca de R$ 150 bilhões em ativos estão à venda no Brasil, segundo cálculos internos feitos por bancos de investimento, obtidos pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. A cifra equivale a praticamente um Itaú em valor de mercado ou a meia Ambev.

O encolhimento das empresas tem dois motivadores: as investigações da Operação Lava Jato, que devem fazer até com que algumas empreiteiras saiam de cena, e o conservadorismo, buscado naturalmente em tempos de crise.

O maior plano de desinvestimento é o da Petrobras. A estatal tem em pauta um ambicioso plano de venda de ativos, com estimativa de levantar US$ 15,1 bilhões em 2015 e 2016.

“No fim do processo, a Petrobras voltará a ser uma empresa de produção e exploração de petróleo”, disse o executivo de um banco nacional.

A abertura de capital da subsidiária BR Distribuidora, em uma oferta inicial de ações (IPO) de cerca de R$ 7 bilhões, ainda aguarda uma janela de oportunidade na Bolsa.

No pacote de desinvestimento da estatal, estão também usinas térmicas e participações no controle de distribuidoras estaduais de gás natural. As térmicas estão na categoria de ativos considerados de grande liquidez, razão pela qual a Engevix vendeu sua fatia no controle da Desenvix para a Statkraft Investimentos.

Outra empresa do setor elétrico com ativos à venda é a Eletrobrás. A companhia, que enfrenta dificuldades desde 2012, quando o governo mudou o modelo de concessão de geração do país, tem acumulado prejuízos anuais e pretende vender a distribuidora Celg ainda este ano.

A CSN é outra empresa que deve sair da crise focada em três negócios: siderurgia, mineração e cimento. Hoje, a empresa também atua em logística e energia. Já a Vale vem reorganizando seu portfólio, com o intuito de manter os ativos mais geradores de caixa.

“Muitas empresas adotaram uma postura de crescimento inorgânico, via aquisições, nos últimos anos. Agora o cenário reverteu dramaticamente e a crise está fazendo com que as empresas revejam seus portfólios, voltando-se a um negócio mais rentável”, disse o executivo de um banco estrangeiro, envolvido na venda de alguns ativos.

Portfólio menor

Constituída por uma série de aquisições, a Hypermarcas está mudando de direção. Nos últimos anos, a empresa se concentrou em um forte processo de redução dos níveis de endividamento e enxugamento do portfólio de marcas, processo que ganhou mais importância agora. No momento, a companhia procura alternativas para sua unidade de fraldas.

A empresa se reposicionou de tal forma que, internamente, já se questiona se o nome “Hypermarcas” reflete sua realidade, cada vez mais voltada ao setor farmacêutico.

Com a crise batendo no varejo, o processo de desinvestimento chegou aos shoppings centers. A General Shopping vendeu o Shopping Light, em abril, e deve acelerar o processo nos próximos meses para quitar dívidas corporativas, enquanto busca outras alternativas, como emissão de ações com esforços restritos, para captar recursos com mais agilidade. Ainda no setor, a operadora REP é uma das companhias que pode mudar de dono para capitalizar seu controlador, a PDG Realty, que vem sofrendo com a baixa no mercado imobiliário.

Além da venda de ativos, há empresas optando por fechar unidades de negócios menos rentáveis. É o caso, por exemplo, da Lojas Marisa, que desistiu de prosseguir com as vendas diretas para estancar a sangria de caixa que a iniciativa vinha provocando.

No mesmo setor, todas as grandes redes têm sinalizado intolerância a lojas com performance pior que a média. A varejista de moda C&A, por exemplo, anunciou o fechamento de duas lojas em shoppings grandes no país. Via Varejo e Magazine Luiza também já informaram maior cautela na avaliação das lojas.

“Em um cenário de queda de receita as empresas tentam proteger minimamente a rentabilidade e até mesmo a sobrevivência”, diz o professor de Economia do Ibmec/RJ, Daniel Sousa. Segundo ele, negócios que já não eram muito rentáveis ficam inviáveis nesse contexto.

Lava Jato

As investigações da Polícia Federal nos maiores grupos brasileiros de construção e óleo e gás levaram boa parte dessas companhias a rever operações.

A OAS, em recuperação judicial, tenta se desfazer de ativos nos segmentos de infraestrutura, ambiental e estádios, para se concentrar em construção.

O Grupo Schahin anunciou, ao entrar com pedido de recuperação judicial de 28 empresas, que se concentraria na área de petróleo e gás, abandonando atividades de engenharia e construção. Mesmo assim, no plano de recuperação judicial, mencionou a venda de três navios-sonda.

A Galvão Engenharia colocou à venda participações da Galpar no capital social da CAB Ambiental (de 66,58%) e no capital social da Concessionária Galvão BR-153 (de 100%). Também se comenta a venda de ativos de geração hidrelétrica e eólica. A Odebrecht, que teve a construtora citada na Lava Jato, também procura fazer caixa e teria oferecido no mercado operações de energia renovável.

“Essas empresas tinham negócios grandes com o governo e dependiam de crédito para tocar essas obras. O governo parou de pagar e o crédito secou. Como elas não têm caixa para fazer frente às obrigações, estão vendendo seus ativos”, afirmou o consultor Riccardo Gambarotto, sócio da consultoria RGF & Associados.

Gambarotto ressalta que, além das empresas diminuindo de tamanho, a crise econômica fez muitos empresários colocarem a companhia inteira à venda.

“Vender ativos é um privilégio de poucos. Os pequenos não têm o que vender e só podem fazer ajustes operacionais, como cortar custo, ou vender a empresa inteira.”

Tópicos: Crise econômica, Empresas, IPOs, Mercado financeiro

Fonte: Exame Abril

Moody´s rebaixa nota da General Shopping

Moody´s rebaixa nota da General Shopping

São Paulo – A agência de classificação de risco Moody’´s rebaixou a nota da General Shopping de B2 para Caa1. A perspectiva foi revisada de negativa para estável. Segundo a Moody’s, o rebaixamento reflete o elevado risco de calote por parte da companhia nos próximos 12 a 24 meses.

A Moody’s afirmou que a nova classificação também reflete a possibilidade de que a companhia possa vender mais ativos para obter recursos adicionais com garantia para financiar qualquer recompra das notas seniores sem garantia, que estão com altos descontos.

“A recente oferta de recompra combinada com a decisão da empresa de adiar o pagamento dos juros de suas notas subordinadas perpétuas faz parte do plano estratégico da administração para lidar com a posição de liquidez apertada e o enfraquecimento das métricas de crédito”, afirma a agência, em relatório.

Em abril, a General Shopping vendeu 100% do Shopping Light, por meio de sua controlada Levian Participações. Em outubro, vendeu uma fatia de 10% do Internacional Shopping de Guarulhos.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Gestão interina para enfrentar crise

A gestão interina para enfrentar crise sempre é um decisão que visa tornar eficiente a administração das empresas e seus resultados.


Empresas recorrem à gestão interina para enfrentar crise

Aumenta o número de companhias, em sua maioria familiares e no vermelho, que tem entregado comando a consultorias com equipes especializadas em arrumar a casa

O empresário Christian Bennecke, seu pai e avô já driblaram diferentes crises econômicas para manter as portas abertas da Corneta, fabricante de ferramentas e autopeças criada pelo avô de Bennecke. Mas, desta vez, ele pediu ajuda. Para salvar a empresa, o empresário bateu às portas da consultoria de gestão Naxentia em dezembro passado e contratou executivos interinos para tocar o negócio e arrumar a casa.

Alguns funcionários subiam no telhado da fábrica para fazer pirraça com os jogadores do time, prática que deu origem à expressão “corneteiro”, usada até hoje no futebol. Ao longo dos anos, a fábrica mudou para Osasco e o negócio de ferramentas foi perdendo espaço para a produção de autopeças, especialmente para o segmento de motos, que hoje representa 90% da receita da companhia.

Com a queda da venda de motos nos últimos anos, a Corneta sofreu junto. Sua receita vinha encolhendo e, sem conseguir cortar os custos na mesma proporção, a empresa ficou no vermelho. “Se continuássemos nesse ritmo de perdas, iríamos caminhar para a recuperação judicial”, admitiu Bennecke.

Os acionistas chegaram a abrir um processo seletivo para recrutar um CEO para a companhia, mas acabaram optando por contratar uma consultoria para fazer a gestão interina da empresa. “Os head hunters (recrutadores) nos apresentaram bons candidatos. Mas entendemos que precisamos de uma solução multidisciplinar, com vários executivos em frentes diferentes. Não acredito que um CEO super-herói vá salvar a empresa”, disse o empresário.

Desde dezembro, a Corneta tem três executivos da consultoria Naxentia no comando – um CEO, um diretor financeiro e um executivo para a área de controles internos (controller). A missão deles é retomar a rentabilidade da empresa.

Assim como a Corneta, diversas empresas tiveram de buscar ajuda para se ajustar à crise. De acordo com oito consultorias que oferecem o serviço, consultadas pelo Estado, como Galeazzi & Associados, McKinsey, Corporate Consulting, Strategos e Alvarez&Marsal, a demanda pela gestão interina cresceu significativamente este ano.

Segundo as consultorias, os principais clientes são empresas familiares com prejuízos e problemas de liquidez. E há demanda generalizada pelo serviço, com destaque para o setor industrial, especialmente as empresas de autopeças, máquinas e equipamentos e construção civil.

Ajuste de contas.Desde que assumiu o comando da Corneta, a equipe da Naxentia teve de demitir e elevar preços, além de renegociar com fornecedores. “O foco é resultado. O contexto exige que a empresa se adapte e enxugue a operação”, disse o consultor da Naxentia e atual presidente da Corneta, Oswaldo Cochrane.

Nos tempos áureos de vendas de motos aquecidas, a Corneta faturava R$ 100 milhões e tinha quase 600 funcionários. Hoje a empresa tem 400 pessoas e deve faturar R$ 60 milhões este ano. De margem negativa em 5%, a meta é ficar no zero a zero em 2015 e voltar a lucrar só em 2016. Então, os executivos se despedirão e vão arrumar outra casa.

Economia – Estadão

Crowdfunding típico e o Equity

Alternativas de investimentos para startups: crowdfunding típico e o equity

Como já analisado em artigos anteriores de nossa banca, startups tendem a ser empresas pequenas, enquadradas como MPE´s – Micro e Pequenas Empresas – nas quais o custo fixo para manutenção é baixo, focadas, em sua grande maioria, na área de tecnologia, com margens possíveis de lucro elevadas e serviços e ideias inovadoras.Entretanto, a grande dificuldade para toda e qualquer startup é a captação de investimento, ou seja, encontrar formas de conquistar investidores interessados nas ideias e projetos desenvolvidos pela empresa.Neste contexto, alguns tipos de investimento são de conhecimento geral, tais como os diretos, os investidores anjo e os fundos de empresas financiadoras que abrem editais periodicamente, a fim de financiar projetos que se adequarem a suas expectativas. Além destes, começam a surgir outras espécies que vêm diversificando as alternativas possíveis às startups de adquirir capital externo. É dentro destas novas opções que citamos os crowdfunding.Nas hipóteses do crowdfunding, a ideia básica consiste na venda de algo relacionado à startup para diversas pessoas interessadas, não necessariamente caracterizadas com investidores típicos, objetivando captar, por meio da internet, um valor específico que permita à empresa continuar suas operações.

Este tipo de captação possibilita uma maior capilaridade nos investimentos com apoio da internet, que aumenta o raio de captação e aproxima investidores de diversos nichos a uma ideia diferenciada e inovadora. Em regra, o crowdfunding no Brasil segue em larga escala a ideia original de vender produtos relacionados ao projeto, como por exemplo, uma banda recém-formada que almeja produzir um DVD e oferta para quem investir na proposta, um ingresso para show ou uma camiseta autografada, a depender do valor investido.

Por se caracterizar como ideia essencialmente ligada a internet, o crowdfunding já tem alguns sites especializados como o Catarse no Brasil e o Kickstarter nos EUA. Entretanto, a ideia já se difundiu por todo o globo, e é possível que um investidor brasileiro adquira um produto em sites ingleses, australianos ou de qualquer outra parte do mundo, bastando ter acesso a internet e capacidade para pagamentos internacionais.

Vale lembrar que já existem sites que utilizam a ideia do crowdfunding de forma diferente, como o Mineo. Neste site é possível que se venda a ideia ou a sugestão às empresas, lucrando os direitos inerentes a ideia, caso esta seja comprada por empresas interessadas.

Contudo, o que mais vem chamando a atenção na área da captação de investimentos por meio do crowdfunding é o chamado equity. Esta espécie de investimento consiste na venda de parte da empresa a investidores, ou seja, não são comercializados produtos relacionados à atividade da startup a fim de obter capital externo, mas créditos ou títulos que futuramente poderão ser convertidos em ações.

A grande discussão a respeito disso se dá pela necessidade de regulamentação ou não do Estado. Nos EUA já existe norma específica que foi determinada em meados de 2012, denominada como “Jobs Act” que serviu como regramento para reger o “equity crowdfunding” no país americano.

No Brasil, a CVM – Comissão de Valores Mobliários – já se antecipou a respeito do tema e determinou algumas regras, a fim de evitar maiores dificuldades as pequenas empresas brasileiras que optarem por este tipo de captação. O Estado permite que seja captado o valor máximo de 2,4 milhões por ano nessa modalidade, além de ser obrigatório que se informe a CVM quando houver este tipo de iniciativa por parte de uma MPE.

Para elucidar melhor a situação supracitada, a ideia consiste no ato da empresa elaborar o “pitch”, uma explicação clara e objetiva do seu plano de negócios, que será apresentado aos investidores. Os interessados irão aportar recursos e receber em contrapartida uma opção ou um Título de Dívida Conversível – TDC –, espécie de título de crédito semelhante aos debentures, que poderão ser transformados em ações quando a empresa se tornar um S. A.

Os equitys estão em ascensão por todo o mundo, tendo se destacado na Inglaterra, na Austrália e, após o Jobs Act, nos EUA. Alguns sites que permitem este tipo de investimento no Brasil são a EuSócio e a Broota, sendo a primeira utilizadora de opção ou contratos entre as partes e a Broota inovando com o chamado TDC.

Por fim, expostas as novas alternativas trazidas pela opção do crowdfunding, vale esclarecer a real importância de se procurar advogado especializado na área, visto que um pitch realizado de maneira despreparada pode causar mais transtornos e prejuízos do que benefícios oriundos dos valores captados. Isto porque, nos casos de equity, o que se vende essencialmente é parte da empresa, ou seja, a autonomia empresarial está sendo posta em cheque, justificando a seriedade e responsabilidade que devem existir neste momento.

Por Luiz Eduardo Soares Silva e Duarte

Fonte: http://www.ndmadvogados.com.br/startups-crowdfunding-equity/

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Endividamento das empresas brasileiras

 Endividamento das empresas brasileiras

 As empresas brasileiras precisam analisar o seu endividamento com muito cuidado. As atividades empresariais estão muito lentas e a redução das expectativas deve permear o planejamento com o horizonte de, pelo menos, um ano. Outro foco são a alterações que possam ocorrer com a legislação oriundas, principalmente, do governo federal.


Dívida das empresas no Brasil é preocupante, diz IIF

O endividamento de empresas brasileiras cresceu rápido e atingiu nível preocupante, afirma o Instituto Internacional de Finanças (IIF, na sigla em inglês), formado pelos maiores bancos do mundo, em uma análise do aumento do endividamento nos países emergentes divulgada ontem.

“Em particular, países como China, Cingapura, Turquia, Brasil e Rússia viram as dívidas corporativas aumentarem muito rapidamente para níveis preocupantes”, afirma o IIF.

No geral, os passivos das empresas nos emergentes subiram de 60% do Produto Interno Bruto (PIB) para 85% nos últimos sete anos. Muitas companhias aproveitaram os juros próximos de zero nos países desenvolvidos para captar no mercado internacional.

Em um cenário de baixo crescimento econômico e da elevação de juros nos Estados Unidos, que pode ocorrer ainda este ano, o IIF prevê que muitas empresas de países emergentes podem ter de reestruturar suas dívidas. Taxas mais altas no mercado norte-americano encarecem os custos de novas captações e de refinanciamento dessas dívidas. Além do IIF, o Fundo Monetário Internacional (FMI) já emitiu alertas recentes sobre o aumento dos passivos corporativos nos países emergentes.

Risco

O IIF destaca que não foram apenas os passivos das empresas que aumentaram muito nos últimos anos. As dívidas dos países também cresceram, o que aumenta o risco de default, destaca o relatório, que lembra a complicada situação da Grécia e menciona ainda potenciais problemas na Ucrânia e em Porto Rico, território no Caribe que pertence aos Estados Unidos e que já avisou que não tem como honrar uma dívida de US$ 72 bilhões.

O desafio de empresas e de governos será lidar com um endividamento alto em um ambiente de baixo crescimento econômico, de acordo com o instituto.

“É importante tirar as lições certas para se chegar a um quadro adequado para a reestruturação de dívidas que oriente ações dos governos e as expectativas do mercado e a correta precificação do risco”, destaca o relatório.

A falha em lidar com essa questão pode aumentar a incerteza no caso de qualquer crise de dívida podendo ter impacto negativo nas perspectivas para a atividade econômica mundial.



Fusões e Aquisições em Março no Brasil são 75

Fusões e Aquisições em Março no Brasil são 75. No Brasil as empresas estão se aglutinando para se fortalecer esperando o futuro promissor desenhado para nossa economia.


Brasil tem 75 fusões e aquisições em março, diz PwC

São Paulo – Durante o mês de março, 75 fusões e aquisições de empresas foram feitas no Brasil, segundo balanço da PwC. O número é 19% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado (63). No trimestre, foram contabilizados 189 negócios.

O levantamento não considera acordos, joint-ventures e pactos entre multinacionais.

De acordo com a consultoria, o aumento das transações pode ter ocorrido por conta do fim das festividades de Carnaval e também da valorização significativa do dólar americano, que atingiu seu ápice em março.

Historicamente, o Sudeste concentra o maior número de negociações. Em março, 73,3% das fusões e aquisições anunciadas no país foram fechadas na região. O estado de São Paulo, sozinho, consolidou 61,3% do total de operações.

A região Sul vem em segundo lugar, com 16% das transações. Outras 5,3% foram realizadas no exterior.

Investidores

Os investidores financeiros tiveram papel em 36% (28) das fusões e aquisições realizadas em março. Delas, 54% foram feitas por fundos estrangeiros.

Há 15 meses na liderança, o setor de TI correspondeu a 21% (40) do total de operações fechadas no mês. Uma delas foi a compra de uma participação de 5,16% da Totvs por parte da Genesis Asset Managers, LLP.

Em seguida, apareceram os segmentos de Serviços Auxiliares, com 11%, e Financeiro, com 8%.

Luísa Melo, de EXAME.com

Empresas com Alto Desempenho BS2

Empresas com alto crescimento no Brasil

18/11/2013 – 10h00

Sobe número de empresas com alto crescimento no Brasil

DENISE LUNA
DO RIO

O número de empresas com alto crescimento no Brasil subiu em 2011 em relação ao total de empresas ativas, para 0,8%, contra 0,7% em 2010, mostrou um estudo do IBGE divulgado nesta segunda-feira (18).

São consideradas empresas de alto crescimento aquelas que aumentaram em 20% ao ano ou mais o número de empregados, por um período de três anos. Elas são divididas nas que cresceram por contratações, chamadas de empresas de alto crescimento orgânico, e as que cresceram por fusões ou aquisições, as empresas com crescimento externo.

Os dados constam na pesquisa estatística do IBGE sobre o empreendedorismo em 2011, que compara o desempenho desse ano com os ocorridos em 2009 e 2010.

Em 2011, o Brasil tinha 4.538.347 de empresas ativas, sendo que 49% desse total tinham pelo menos um pessoa ocupada assalariada, enquanto 10% tinham 10 ou mais pessoas ocupadas assalariadas.

O número de empresas com alto crescimento atingiu 34.528 em 2011, 0,8% do total de empresas do país e 7,7% do total de empresas com 10 ou mais pessoas ocupadas. O número é 3,6% maior do que no ano anterior e 11,6% superior na comparação com 2009.

Entre 2009 e 2011, essas empresas apresentaram um crescimento médio de pessoal ocupado da ordem de 171,8%, gerando 2,8 milhões de empregos, ou 48,5% das vagas criadas pelas empresas ativas no país.

O resultado porém é menor do que no triênio anterior, quando o pessoal ocupado cresceu 173,5%. A queda é explicada pelo IBGE pelo comportamento do PIB (Produto Interno Bruto) no mesmo período, que subiu 4,6% entre 2007 e 2010 e 3,8% entre 2008 e 2011.

O número de empresas de alto crescimento orgânico subiu para 34.106 em 2011, contra 33.320 em 2010 e 30.935 em 2009, enquanto as de alto crescimento externo somaram 422 empresas em 2011, contra 457 em 2010 e 248 em 2009.

Apesar do número ser expressivamente inferior ao total de empresas ativas do país, as empresas de alto crescimento se destacam pela capacidade de geração de emprego, informou o IBGE.

ARTE EM ALTA

Os setores de arte, cultura, esporte e recreação cresceram em participação entre as empresas de alto crescimento orgânico no triênio da pesquisa, aumentando seu peso de 4,9% (2009) para 5,6% (2011).

O peso das empresas do setor de educação pulou de 6,2% para 6,8% na mesma comparação, e o setor de água, esgoto e gestão de resíduos subiu de 9,1% para 9,7%. A indústria extrativa, onde se encaixa o setor de petróleo e mineração, cresceu de 9,8% em 2009 para 10,1% em 2011.

Em contrapartida, doze de 19 setores pesquisados apresentaram redução de representatividade nessas empresas.

O setor de construção lidera essa queda, com menos 2,2 pontos percentuais em 2011 e relação a 2009, caindo para uma participação de 12,6%, ante 14,8% há dois anos.

Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (6,9%) também recuaram em relação há dois anos, perdendo um ponto percentual contra a participação entre as empresas de alto crescimento orgânico que tinham em 2009 (7,9%).

VALOR ADICIONADO

Em 2011, as empresas ativas com pelo menos dez empregados geraram R$ 1,5 trilhão em valor adicionado bruto (renda gerada pelos bens e serviços, excluídos os custos de produção e os impostos). Em 2010 esse valor foi de R$ 1,3 trilhão.

Desse valor, R$ 201,5 bilhões foram gerados por empresas com alto crescimento orgânico, ou 13,4% do total. Na pesquisa anterior, referente a 2010, essas empresas representavam 15,1% deste valor, com R$ 200 bilhões. A participação maior diante de um volume de recursos menor se deve ao fato do número de empresas ativas terem crescido.

O setor de Serviços se destacou em 2011, segundo o IBGE, representando 30,7% do valor gerado entre as empresas com alto crescimento orgânico, seguido pela Indústria, com 29,1%. O setor de Construção teve um comportamento bem distinto, segundo o IBGE, com geração de 28,7% do valor adicionado bruto, contra 32,3% no ano anterior.

As empresas com alto crescimento orgânico pagaram R$ 75,8 bilhões em salários e outras remunerações em 2011, ou 11,5% do total pago pelo conjunto de empresas ativas com pessoal ocupado assalariado no país.

Empresas com Alto Desempenho BS2

Veja a matéria completa aqui

Grandes Construtoras e Incorporadoras deixam Curitiba

Gigantes do setor saem de fininho (Gazeta do Povo)

Grandes construtoras e incorporadoras, principalmente as de capital aberto, liquidam estoques e reduzem atuação em Curitiba

Depois de chegarem a Curitiba e praticamente dobrarem o número de lançamentos por ano, as principais construtoras do país estão reduzindo drasticamente o número de novos empreendimentos ou até mesmo encerrando suas atividades na cidade. A saída é marcada por uma onda de feirões e liquidações do estoque existente, com descontos de até um terço do valor original do imóvel.

A debandada atinge principalmente as gigantes de capital aberto do ramo, que realizaram seus planos de expansão pelo país em 2009 e agora recuam com a desaceleração do mercado imobiliário de baixa renda. “O mercado imobiliário voltou a sua origem. Reelegeu os empreendimentos de média e alta renda como foco principal dos seus negócios, sobretudo em São Paulo, saindo de outros mercados que tiveram muito mais lançamentos do que a cidade era capaz de absorver”, afirma o professor do núcleo de Real Estate da USP, Cláudio Tavares Alencar. Curitiba é um exemplo disso. A Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário no Paraná (Ademi-PR) estima que 11 mil unidades estejam nas mãos das incorporadoras e construtoras, enquanto a demanda não passa de 6 mil.

Em seus relatórios para os investidores,
as empresas admitem a desaceleração e saída de alguns mercados. Entre elas, a Tenda não tem previsão de lançamentos em Curitiba – em São Paulo, o ano da construtora foi marcado pela retomada de novos negócios. A PDG, que lançou 40% menos em todo o Brasil no ano, suspendeu dois de seus plantões de venda na cidade. A Rossi, que chegou a Curitiba na mesma época, conta com um lançamento em aberto desde o primeiro semestre e outro, de alto padrão, previsto para 2014. De acordo com o seu último balanço, a empresa planeja focar seus próximos empreendimentos em São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro. “É natural que, depois de todas as empresas aproveitarem a demanda reprimida por imóveis por alguns anos, elas voltem para seus mercados e seus nichos de atuação tradicionais”, explica o diretor da Hafil Inc, Caio Napoli.

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Serviço de Conformidade Fiscal via internet

Empresas economizam com Serviço de Conformidade Fiscal via internet

A tecnologia automatiza os serviços da área fiscal de empresas reduzindo custos

Alex Yin *

Publicada em 25 de outubro de 2013 às 07h19

Infelizmente o Brasil ainda carrega o estigma de país dos impostos e fica entre as 30 nações com as maiores cargas tributarias do mundo. Esses valores são arrecadados tanto de pessoas físicas como de empresas, das mais variadas formas. No caso das companhias, pior do que pagar impostos é calcular o valor na alíquota de produtos de forma errada, pagando mais do que o devido.

Ainda é comum as empresas terem um departamento responsável pela área fiscal, que realiza trabalhos de forma manual apurando os impostos de mercadorias, atualizados através de checagem de guia semanal impressa e até mesmo no Diário Oficial. Além de um numeroso departamento, às vezes é necessário também o serviço de um advogado tributarista para a interpretação das leis e as formas de aplicações. Até pouco tempo esse quadro era irreversível, pois ainda não havia surgido nenhuma tecnologia que auxiliasse neste trabalho, o que gerava interpretações e pagamentos errôneos.

Os passos na evolução na área fiscal caminharam lentamente por muito tempo, mas finalmente as empresas estão incorporando novidades e avanços nessa área. Principalmente porque já pagam altas quantidades e qualquer redução de valores apurados a pagar vale muito à pena.

O mais novo aliado das empresas neste serviço é um webservice, o Tax Compliance Services ou  Serviço de Conformidade Fiscal, capaz de informar os percentuais de tributação, reduções e alterações de base de tributação na aplicação do cálculo de impostos incidentes nas diversas operações fiscais em tempo real para a emissão e/ou validação de documentos fiscais de mercadorias (PIS/COFINS, ICMS, IPI e Substituição Tributária).

A novidade é única no Brasil e garante rapidez e precisão, pois se trata de um serviço muito simples que automatiza algo que era manual, numa consulta de cerca de 5 a 10 minutos, parecido com um celular pré-pago.

Primeiro é feito o cadastro com senha, login e adesão ao contrato. Depois, o depósito em dinheiro na conta do serviço de pagamento online, seguindo facilmente o passo a passo no site e a cada nova consulta ele vai debitando. Basta apenas digitar as informações referentes aos produtos, a categoria e o que é o produto, qual a origem e destino, para serem apuradas e baseadas na legislação mais atual nacional e regional. É valido para o Brasil todo. Além de calcular o valor, o sistema avisa se houve alguma alteração na legislação. Não há restrições de horário para a utilização do serviço, podendo ser utilizado tanto de dia como a noite e de qualquer lugar, todas as operações são informadas e documentadas em mensagens de e-mail.

Muitas empresas estão optando pela novidade via internet, que atende a corporações de todos os tamanhos, sendo que as maiores possuem a opção de terem um projeto customizado, não só para terem cálculos precisos, mas também para reduzirem o número de pessoal na área fiscal, que antes era completamente manual.

 

(*) Alex Yin  é  Gestor de Unidade de Negócio de Solução Fiscal e Tributária da YKP

Novo sistema de tributação sobre lucro

12/11/2013 às 14h07 

Governo acaba com RTT e adota novo sistema de tributação sobre lucro

SÃO PAULO  –  Depois de seis anos de uso, o Regime Tributário de Transição (RTT), que garantiu a neutralidade tributária durante o período de adaptação das empresas brasileiras ao padrão contábil internacional, vai deixar de existir.

No seu lugar, entra um novo arcabouço que detalha como as companhias locais vão chegar na base de cálculo do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL), tendo como ponto de partida o lucro societário apurado conforme o IFRS.

A mudança, que afeta milhares de empresas no país, veio pela publicação, no “Diário Oficial da União” de hoje, da Medida Provisória 627, que além de acabar com o RTT, também altera a legislação sobre tributação do lucro de controladas e coligadas no exterior.

“É um novo marco da legislação tributária. Ela fala de receita, equivalência patrimonial, incorpora ção, valor justo, ágio etc. É um divisor de águas”, afirma Roberto Haddad, sócio da área tributária da KPMG, que compara a MP ao decreto-lei 1.598, de 1977, e à lei 9.249, de 1995.

Conforme a MP, o fim do RTT valerá obrigatoriamente a partir de 2015, mas as empresas que quiserem poderão optar por usar o novo critério de apuração do imposto a partir de janeiro de 2014. Quem não optar fica mais um ano sob a regra atual.

Ao contrário do que previa a polêmica Instrução Normativa 1.397, de setembro, a Medida Provisória deixa claro que não haverá cobrança retroativa sobre distribuição de dividendos feita entre 2008 e 2013, caso o pagamento tenha sido em excesso ao valor do lucro fiscal desse período, que seria aquele registrado conforme as regras contábeis vigentes no fim de 2007 – antes da transição para o IFRS. Mas a isenção só é garantida para as empresas que optarem por abandonar o RTT já em 2014.

Pelo RTT, as empresas apuravam o lucro societário pelas normas contábeis internacionais e faziam ajustes ignorando todos os pronunciamentos contábeis emitidos desde 2008 (voltando para o lucro que teriam pela contabilidade a té 2007), para aí sim fazer as adições e exclusões tradicionais de receitas e despesas no livro de apuração do lucro real (que serve de base para pagamento de tributos).

Agora, o governo listou quais novos pronunciamentos serão “incorporados” ou não pela legislação fiscal. Casos como variação de valor justo, redução do ativo ao valor recuperável (impairment), subvenções governamentais (que pelo IFRS entram como receita) e pagamento baseado em ações, por exemplo, não serão considerados para pagamento de IR e CSLL.

Já o cálculo do ágio pela regra do IFRS, que considera como goodwill apenas o valor residual após a alocação da mais ou menos valia dos ativos adquiridos, será usado também para fins fiscais – ainda que a amortização e o benefício da dedutibilidade tenham sido mantidos para questões tributárias e não ocorram mais no balanço societário. O ajuste a valor presente de receitas e despesas, também será considerado, mas apenas quando da realização do evento ao qual está ligado.

Neste momento, tributaristas do país todo estão decifrando os mais de 70 artigos da MP que tratam do fim do RTT e certamente dúvidas e questionamentos devem surgir.

Mas aparentemente, depois do susto com a IN 1.397, a  maior parte do que foi combinado há algumas semanas durante encontro com representantes de empresas e contadores, no Ministério da Fazenda, foi cumprido.

fonte: Matéria Publicada no Valor Econômico

Recuperação judicial no Brasil

Só 1% das empresas sai da recuperação judicial no Brasil

Índice é bem inferior ao dos Estados Unidos, onde cerca de 30% das companhias conseguem emergir da crise sem ir à falência

Apenas 1% das empresas que pediu recuperação judicial no Brasil saiu do processo recuperada. Desde que a lei foi criada, em fevereiro de 2005 até o último dia 10, cerca de 4 mil companhias pediram recuperação judicial, mas só 45 voltaram a operar como empresas regulares. No decorrer desses oito anos e meio, só 23% delas tiveram seus planos de recuperação aprovados pelos credores, 398 faliram e a maioria dos processos se arrasta no Judiciário sem definição final.

Os dados são de um levantamento da consultoria Corporate Consulting e do escritório de advocacia Moraes Salles feito a pedido do Estado. A pesquisa não considera empresas que estavam em concordata e migraram para a recuperação judicial quando a lei foi criada.

“A maioria dos planos aprovados não é um projeto de reestruturação para tornar a empresa viável economicamente. São basicamente renegociações de dívidas”, disse Paulo Carnaúba, sócio do Moraes Salles e presidente da comissão de estudos em falência e recuperação judicial da OAB/Campinas. “Isso explica em parte por que a taxa de sucesso é tão baixa.”

A recuperação judicial foi criada para substituir a antiga concordata e evitar a falência das empresas. As companhias que recorrerem à lei ficam blindadas de cobranças de credores por 180 dias e deverão elaborar um plano para recuperar a empresa. Esse plano precisa ser aprovado pelos credores e executado com sucesso pela companhia para o processo chegar ao fim. A decisão de encerrar a ação é da Justiça.

Companhias como a calçadista Via Uno e a fabricante de eletrodomésticos Mabe pediram recentemente recuperação judicial. Outras como a companhia aérea Varig e a Agrenco também tentaram esse caminho, mas faliram depois.

A próxima a entrar em recuperação judicial deve ser a OGX, petroleira de Eike Batista, que está inadimplente por deixar de pagar credores externos. A empresa tem até o fim do mês s para quitar o débito e, se não o fizer, os credores poderão pedir a sua falência. O mercado espera que a OGX recorra à recuperação judicial até o fim do mês.

“O empresário só recorre à recuperação quanto não vê outra saída. Quem passa a decidir o futuro da empresa são os credores e a Justiça”, explica Luis de Paiva, sócio da Corporate Consulting, que participou de mais de 200 reestruturações.

Execução. A tarefa de reerguer uma empresa envolve, no mínimo, dois grandes desafios: ganhar a confiança dos credores e conseguir manter a empresa operante. Muitas empresas em crise interrompem as atividades por falta de caixa e crédito para honrar compromissos básicos como pagar funcionários e comprar matéria-prima.

“É muito mais difícil recuperar a empresa se ela parar”, avalia o presidente da Strategos Consultoria, Telmo Schoeler, que já participou de cerca de 150 reestruturações de empresas. “O plano de recuperação tem de considerar de onde sairá o dinheiro para a empresa continuar a operar nesse período.”

Com a operação parada, as empresas perdem clientes e ficam com produtos e maquinário obsoletos. Na maioria dos casos assim, é questão de tempo para a recuperação judicial virar falência. Nos decretos de falência, é comum encontrar afirmações de juízes de que a recuperação é inviável porque as empresas já não existem mais.

Batalha jurídica. Os processos frequentemente se tornam uma batalha jurídica entre credores, acionistas e administradores judiciais. Cada um invoca a lei para tentar garantir seus interesses e a recuperação da empresa em si fica em segundo plano. Há muitos casos assim na história da lei brasileira.

O processo do laticínio Nilza, de Ribeirão Preto (SP), que já teve mil funcionários e tem fábricas paradas desde 2009, virou uma espécie de “novela”. Os credores aprovaram a transferência da empresa a um investidor, mas o processo foi contestado por um acionista -o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – e o Ministério Público pediu a falência da empresa por suspeita de compra de votos na assembleia de credores. Depois de uma batalha jurídica, a empresa faliu em outubro de 2012.

“A empresa foi vendida para um grupo que não tinha intenção de operar a fábrica. Era só para especular”, disse o síndico da massa falida, Alexandre Borges Leite. “É mais prejudicial aprovar uma recuperação inviável do que decretar a falência.”

A razão é simples: o tempo é inimigo de empresas em crise. Quanto mais se demora para resolver a questão, menos vale a companhia e mais difícil fica reerguer a empresa.

A Agrenco, por exemplo, pediu recuperação após uma investigação da Polícia Federal ter deflagrado uma crise na empresa, um ano depois de ela ter captado R$ 500 milhões na Bolsa. A ideia era simples: vender a usina de Marialva (PR) para terminar de construir outras duas usinas e se reerguer.

Não deu certo. O processo foi marcado por disputas judiciais entre credores, administradores e acionistas e trocas de gestão da empresa durante o processo. Um segundo plano foi elaborado, mas não foi aprovado pelos credores. A companhia teve sua falência decretada em agosto deste ano.

EUA. A recuperação judicial foi inspirada no chamado “Chapter 11” da legislação americana. Lá, a taxa de sucesso, historicamente, varia entre 20% e 30%, bem acima do 1% brasileiro.

A lei americana é mais aprimorada, mas as grandes diferenças são a agilidade do processo e a maturidade do mercado em enfrentar uma reestruturação, dizem os especialistas. Nos Estados Unidos, o envolvimento do credor é muito maior e não se resume a aprovar ou não o plano de recuperação.

No caso da montadora General Motors, por exemplo, que pediu concordata em 2009, credores como o governo americano e o sindicato United Auto Workers converteram suas dívidas em ações de uma “Nova GM”. O plano foi aprovado em cerca de 30 dias. A empresa se recuperou e os credores venderam suas ações anos depois.

Além da GM, entraram e saíram do “Chapter 11” diversas grandes empresas, como United Airlines, Citibank e até o banco Lehman Brothers, estopim da crise de 2008. Por aqui, ainda não há casos de gigantes que emergiram da recuperação judicial.

14 de outubro de 2013 | 2h 11
Marina Gazzoni – O Estado de S.Paulo
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