Desglobalização interessante abordagem

Interessante abordagem focando a tendencia da descontinuidade dos objetivos externos, voltando-se para a interiorização dos mercados.


Chegou a desglobalização

A leitura da imprensa financeira internacional nesse momento de “Copa, ter ou não ter” revela muito sobre o futuro do capitalismo global. Embora o campeonato organizado pela FIFA (US$ 1 bilhão em reservas derivadas de uma simples máquina de distribuição mundial de direitos de transmissão de partidas de futebol) seja o ícone maior do capitalismo do espetáculo global, a imprensa financeira traz notícia atrás de notícia indicando uma realidade oposta: a economia mundial entrou numa fase de “desglobalização”.

O nome é feio, o fato é que a desconstrução do capital global está acontecendo a olhos nus. E não me refiro apenas ao anúncio de um novo banco mundial de desenvolvimento com aportes dos BRICs (Brasil como abre-alas).

Duas tendências afetam diretamente o universo dos ultra-ricos e do capital financeiro global, tornando complicada a gestão de bancos e instituições com gigantescos patrimônios a preservar ou preferencialmente valorizar.

De um lado, depois da crise de 2008 o ajuste que recaiu sobre inúmeros bancos mundiais (quem sobreviveu) foi bem maior que o sacrifício ou mesmo prisão de altos executivos dessas mesmas instituições financeiras. Operar escritórios no mundo todo é interessante quando o sistema está em expansão. Durante a crise, a recessão e o período de crescimento lento a manutenção da rede não compensa. Houve milhares de demissões e especialização. Multas bilionárias tem sido impostas e o combate ao terrorismo somado às tecnologias digitais fecharam o cerco sobre a lavagem de dinheiro, a evasão fiscal e a corrupção estatal (vale notar que denúncias graves no Brasil vieram à tona apenas porque autoridades de outros países deram o alerta e expediram decisões judiciais).

De outro lado, o “Financial Times” do último final de semana publicou um radioso caderno especial sobre gestão de grandes fortunas. Se bancos e outras instituições financeiras ainda sofrem os efeitos da crise, pagam multas bilionárias e se arriscam até mesmo a gerar nova bolha especulativa mesmo numa economia de crescimento lento, situação atual, os muito-muito-ricos aumentam em número e parecem levar a um renascimento da “City” londrina como o melhor lugar do mundo para instalar um banco ou uma gestora de riqueza privada num cenário de aumento no número de clientes com mega-fortunas, sobretudo com origem na Ásia, África e no Oriente Médio (alguma coisa da América Latina, como revela a reportagem ao repercutir os dilemas do investimento de grandes fortunas com um dono de empreiteira brasileiro).

O novo capitalismo está aí, a olhos nús: a ordem comercial e financeira que insuflou a globalização parece desmanchar no ar enquanto os muito ricos acumulam fortunas e se voltam para o mesmo Centro de sempre em busca de retorno, segurança e conforto. A decisão de criar um fundo global geopoliticamente diferenciado parece portanto ter suas boas doses de razão. Ao mesmo tempo, contribui para a mesma “desglobalização” frente à qual supostamente pretende defender os BRICs.

Com a falência dos organismos e acordos multilaterais nos últimos 25 anos, em praticamente todas as áreas, é improvável no horizonte o surgimento de alguma força capaz de superar essa contradição.

Planejando sob tom sombrio

Para obtermos um Planejamento Eficiente devemos estar preparados para estar planejando sob tom sombrio.


 Tom sombrio impera nos mercados emergentes

Por Francesco Guerrera
Feb. 3, 2014 6:30 p.m. ET
Explicar o tumulto que tomou conta da Argentina, Turquia, Tailândia e outras economias em desenvolvimento não será tarefa fácil. Mas pode ser de estranhar que muitos gestores astutos de fundos não estejam recomendando uma retirada completa de mercados emergentes.Os fatos são assustadores. As ações de mercados emergentes perderam quase 7% só em janeiro, muitas moedas foram fortemente golpeadas e bancos centrais tiveram que recorrer a medidas de emergência para estancar a hemorragia. Como era de se esperar, os investidores caíram fora. Fundos de índice que se concentram em ações de mercados emergentes viveram a segunda maior debandada já registrada na semana encerrada em 29 de janeiro, de acordo com a Lipper, que monitora fundos mútuos.Agora, a má notícia. Esse surto de volatilidade foi provocado por duas mudanças fundamentais e duradouras: a redução do ritmo de compra de títulos de dívida pelo Federal Reserve, o banco central americano, e preocupações sobre a economia e o sistema bancário da China.A redução do estímulo monetário dos Estados Unidos e os sinais de debilidade da China, que responde por mais de 10% do produto interno bruto global (e mais de 30% do PIB dos mercados emergentes), levou investidores a focar o raciocínio. As economias com fundamentos ruins — grandes déficits em conta corrente, crescimento fraco, instabilidade política — tornaram-se párias.No jargão de Wall Street, o “apetite para o risco” de gestores de fundos mudou: em vez de ter fome de ativos como a lira turca e ações americanas, eles começaram a se alimentar de ativos mais seguros, como notas do Tesouro americano.Alguns investidores já estão esgotados. Um gestor confessou na sexta-feira que sentia vontade de “deitar no chão” para se recuperar de uma semana brutal. Para aqueles que ainda estão de pé, o próximo passo vai depender da escolha de ativos e de estômago para enfrentar um passeio de montanha-russa. Presumindo que o Fed mantenha o curso e a economia da China se segure, aqui vai um possível mapa para o labirinto dos mercados emergentes.”Estou muito ocupado e muito otimista sobre os mercados emergentes.” O prêmio para a frase mais surpreendente da semana passada vai para Adrian Mowat, estrategista-chefe de ações asiáticas e mercados emergentes do J.P. Morgan Chase JPM +0.59% & Co.Na opinião dele, uma política monetária mais apertada nos EUA poderia beneficiar os mercados emergentes se ela coincidir com um crescimento econômico mais forte. Ele também acredita que a dependência da economia mundial na China é exagerada.

Além disso, a recente queda das ações de mercados emergentes tornou algumas empresas baratas. Mowat prevê que as ações nas economias emergentes estão sendo negociadas a um desconto de 36% em relação a ações correspondentes nos EUA, comparado com uma média histórica de 20%. A previsão dele para o índice de mercados emergentes MSCI, uma referência para o mercado, é que ele feche o ano cerca de 28% acima dos níveis atuais. Entre as maiores apostas do J.P. Morgan estão a empresa de energia russa OAO GazpromOGZPY +1.92% o banco russo OAO SberbankSBRCY +2.50% e a montadora Hyundai Motor Co. 005380.SE +1.11% , da Coreia do Sul.

É justo dizer que Mowat é uma voz solitária num coro de pessimismo. Alguns especialistas, como Jay Pelosky, estão francamente apocalípticos. Pelosky, cuja empresa, J2Z Advisory LLC, administra um total de US$ 3 bilhões, realizou na semana passada uma teleconferência com clientes chamada: “A economia global roubou a derrota das garras da vitória” [uma inversão irônica da frase “roubar a vitória das garras da derrota”].

“As chances de uma recuperação global sincronizada foram liquidadas pelo que está acontecendo nos mercados emergentes”, diz Pelosky. “Os modelos de crescimento estão todos quebrados, sejam eles na Europa, nos EUA ou nos emergentes.” Na receita dele para sobreviver a esses tempos sombrios estão apostas a descoberto em petróleo, para lucrar com a esperada desaceleração no crescimento global, e a compra de ações de mineradoras de ouro e títulos de dívida de longo prazo de municípios dos EUA e do Tesouro.

Outros ainda não estão prontos para adotar uma postura completamente defensiva. Nas últimas semanas, Sara Zervos, chefe da equipe de dívida global da OppenheimerFunds, fez uma simples pergunta a si mesma: “Quem perdeu até os calções?” À medida que o tumulto se aprofundava, mais e mais países ficaram expostos e Zervos, cuja equipe administra mais de US$ 18 bilhões, desviou a mira de títulos de dívida pública para dívida corporativa. Ela acredita que investidores experientes possam encontrar boas oportunidades em empresas de mercados emergentes com alta avaliação.

Um traço comum entre essas visões díspares é manter o foco no longo prazo. À medida que políticas e o apetite para o risco mudam, estamos testemunhando uma grande mudança nos fluxos de capital que moldarão a paisagem de investimento para um mundo sem estímulo substancial de bancos centrais.

Marc Chandler, estrategista-chefe global de câmbio da Brown Brothers Harriman, gestora de mais de US$ 3 trilhões em ativos, acredita que essa sacudida geral force a saída de “investidores turísticos”, mas que os dólares menos volúveis ficarão.

“Esta é uma correção de longo prazo dos fluxos de capital que levará dois ou três anos para ser concluída”, diz ele.

Fonte: WSJ