Auditoria e Corrupção

Auditoria e Corrupção

Ao se constatar que o Brasil é um dos países menos auditados do mundo, é de se questionar: se assim não fosse será que teríamos menos corrupção em nosso país?

A constatação vem do estudo realizado pela empresa Ernst & Young, uma das principais e maiores desse segmento em todo o mundo, que levantou alguns números interessantes sobre a relação entre o número de habitantes e a quantidade de auditores, como parâmetro para medir o percentual do trabalho de auditoria em cada país.
Nesse estudo, Argentina figura com 13.205 habitantes por auditor; o Chile, 8.711. Na Alemanha, são 4.558 habitantes por auditor; na França, 4.310; e nos Estados Unidos, 2.327. Os países campeões em auditoria, segundo esse critério, são a Holanda, com 899 habitantes por auditor, a Inglaterra, com 1.316, e o Canadá, 1.508.
O Brasil possui apenas um auditor para 24.615 habitantes.
Auditoria é em um exame cuidadoso, sistemático e independente das atividades desenvolvidas em determinada empresa ou setor, cujo objetivo é averiguar se estão de acordo com as disposições planejadas e/ou estabelecidas previamente, se foram implementadas com eficácia e se estão adequadas (em conformidade) à consecução dos objetivos.
Ela deve ser compreendida como um conjunto de ações de assessoramento e consultoria. 
A verificação de procedimentos e a validação dos controles internos utilizados pela organização permitem ao profissional auditor emitir uma opinião de aconselhamento à direção ou ao staff da entidade em estudo, garantindo precisão e segurança na tomada de decisão. 
Muitas vezes, o trabalho é executado com a finalidade de atender a interesses de acionistas, investidores, financiadores e do próprio Estado, ou para cumprir normas legais que regulam o mercado acionário.
É comum, ao término de uma auditoria, a emissão de um documento formal, conhecido como Parecer da Auditoria, que serve para publicação junto às 
Demonstrações Financeiras ou Contábeis, no encerramento de um período ou do exercício social, por força de exigência da legislação.
A Comissão de Valores Imobiliários (CVM) é a entidade regulamentadora da profissão e do exercício profissional, sendo a responsável pela fiscalização do segmento.
A atuação do auditor pode ser importante arma na luta contra a corrupção nas organizações. A auditoria, entretanto, muitas vezes é percebida como mera avaliação das atividades do Departamento de Contabilidade de uma organização. Com a chegada do auditor, os funcionários normalmente se sentem vigiados e ficam intranquilos.
O trabalho de auditoria, ainda que em algumas situações especiais necessite fazer fiscalizações rigorosas, não tem como objetivo policiar profissionais ou suas atividades.
(Engenharia Compartilhada)

Empatia é chave para unir trabalho e felicidade

Empatia é chave para unir trabalho e felicidade, diz filósofo

Em passagem pelo Brasil, Roman Krznaric, um dos fundadores da School of Life, recomenda abandonar o “eu” e assumir o “nós”

Você já se perguntou, no meio da sua jornada de trabalho, “o que eu estou fazendo aqui”? Bem, você não é único. Há uma epidemia de insatisfação com o trabalho se espalhando pelo mundo e ela já chegou ao Brasil. É o que afirma Roman Krznaric, filósofo australiano e um dos fundadores da School of Life, espaço dedicado a cursos focados em informação para qualidade de vida. Roman está no Brasil representando a escola em duas palestras. No último domingo, falou ao público que lotou o Teatro Augusta, em São Paulo.

“As pessoas estão questionando qual o seu propósito de vida e, assim, repensando o significado do trabalho”, diz Roman, que também é autor de “Como Encontrar o Trabalho da sua Vida” (Editora Objetiva) e está no Brasil para lançar seu segundo título, “Sobre a Arte de Viver” (Editora Zahar).

O materialismo já não é mais suficiente. “É uma escada sem fim. Ganhamos dinheiro, compramos, a nossa felicidade cresce um pouco e rapidamente cai. Logo, esse ciclo se repete sistematicamente”.

Se nos últimos 20 anos a carga horária aumentou significativamente, o dia de alguém que está insatisfeito no emprego será tomado de frustrações. “O problema é que as pessoas têm uma ideia muito errada do que lhes traz felicidade no trabalho. Elas tendem a pensar que ganhar mais dinheiro e galgar posições mais altas fará com que sejam mais felizes”, Roman observa.

Mas o que realmente importa, explica o filósofo, é a qualidade das relações, autonomia, liberdade e respeito. “Essas coisas são essenciais no ambiente de trabalho. Você pode ganhar mais dinheiro, mas se sentir que ninguém lhe nota, se não tiver amigos no trabalho, você será infeliz.”

“Fluir” é a palavra-chave para se ter mais prazer na vida profissional. Ao estar presente, desfrutando os momentos, as horas passarão sem você perceber. Mas não é fácil atingir este estado. Muitas vezes, para chegar lá é preciso enfrentar desafios e sair da zona de conforto. “Temos que enlouquecer de vez em quando”, recomenda.

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Renata Reif – iG São Paulo | 

 

Trabalho em casa

Como trabalho em casa pode reduzir custos para a empresa

Por DAVID WESSEL (WSJ)

A seguradora americana Aetna Inc. AET +1.86% temia perder talentos quando fechou algumas filiais depois de adquirir a U.S. Healthcare Inc., em 1996. Assim, decidiu deixar alguns funcionários trabalharem em casa. Dez anos depois, apenas 9% de seus empregados trabalhavam em casa em tempo integral.

Mas em meados dos anos 2000, a seguradora começou a ver que trabalhar em casa era mais que um favor aos funcionários. “Houve um momento em que percebemos que havia aí uma oportunidade para reduzir os custos, em particular com imóveis”, disse Elease Wright, vice-presidente sênior de recursos humanos, que trabalha na sede da Aetna em Hartford, no Estado de Connecticut.

Hoje, quase metade — 47% — dos 35.000 funcionários da Aetna nos Estados Unidos trabalha em casa. Não estamos falando em responder e-mails depois do jantar ou trabalhar em casa às sextas-feiras. Estamos falando em ficar em casa todos os dias: nada de ter um computador ou mesa em algum escritório da empresa.

Dan DeLucia, vice-presidente da unidade da Aetna que negocia acordos com médicos e hospitais, trabalha em sua casa em Syracuse, no Estado de Nova York, há nove anos. “Fiquei indeciso no começo”, disse ele. “Eu me preocupava em saber como iria administrar as coisas de longe. Na época, não havia mensagens instantâneas nem vídeo com a velocidade de hoje.

“Mas logo percebi que, na verdade, eu falava mais e me comunicava mais […] do que quando estava presente num escritório”, acrescentou, lembrando os velhos tempos em que trocava e-mails com colegas a dois cubículos de distância.

Muitos empregadores nos EUA incentivam o trabalho em casa. Cerca de 20% dos funcionários da Cigna Corp., CI +0.52% outra seguradora da área de Hartford, trabalham em casa. Uma pesquisa do Escritório do Censo dos EUA indica que 9,4 milhões de americanos, ou 6,6% dos trabalhadores, trabalharam exclusivamente em casa em seu emprego principal em 2010, contra 4,8% em 1997. Mas poucas firmas foram tão longe como a Aetna.

A extensão com que a Aetna moveu o trabalho do escritório para a casa dos funcionários reflete o esforço incessante das grandes empresas americanas de serviços para cortar custos, bem como o efeito que a disseminação de comunicações baratas, confiáveis e rápidas, em especial a internet, exerce sobre a economia.

No passado, o trabalho e a casa ficavam no mesmo lugar — fosse a fazenda ou a loja. O conceito de trabalhar fora de casa surgiu no início do século XIX, diz Ellen Hartigan-O’Connor, historiadora da Universidade da Califórnia em Davis. As fábricas da região da Nova Inglaterra, no nordeste dos EUA, empregavam moças, e depois imigrantes, para trabalhar nas máquinas e os alojavam em dormitórios. Escritórios se proliferavam e contratavam funcionários, que se mudavam para as cidades e moravam em pensões. “Essa separação dava apoio a uma fantasia da classe média de que o lar era um refúgio seguro no mundo cruel do trabalho”, disse ela.

Hoje, trabalhar em casa é principalmente para aqueles cujo emprego gira em torno de computador, telefone e internet. A Aetna requer dos funcionários que tenham um lugar sossegado para trabalhar. Ela exige e paga por móveis de escritório se necessário, assim como um arquivo e um triturador de documentos, mais computador, telefone e internet.

“Transformei um dos quartos em escritório”, disse Susan O’Donnell, enfermeira de Northfield, no Estado de Connecticut, que há 12 anos saiu de um hospital e se tornou analista de seguros na Aetna; já faz 7 anos que ela trabalha em casa. Ela valoriza a flexibilidade (“Posso dar um pulo no mercado, se precisar”), o fim das incômodas viagens diárias até o trabalho e mais tempo para a família.

E a empresa economiza. A Aetna estima que seus gastos com imóveis e custos relacionados sejam de 15% a 25% mais baixos com esse arranjo — uma economia anual de uns US$ 80 milhões. O trabalho em casa reduziu o espaço total de escritórios da Aetna em 250.000 metros quadrados, calcula a empresa. Algumas unidades pedem que o funcionário passe um ano no escritório antes de trabalhar em casa. Outras demandam uma produtividade acima da média.

A mudança transformou a cultura empresarial da Aetna. Há esforços deliberados para que funcionários remotos participem nas teleconferências. Algumas unidades marcam reuniões só para que empregados se conheçam pessoalmente. Supervisores dão dicas sobre como separar o horário de trabalho do resto do dia.

Há uma desvantagem: quem trabalha em casa tende a engordar. A Aetna agora oferece personal trainers on-line para que o pessoal de casa possa se manter em forma.