Por Gustavo Brigatto | De São Paulo (VALOR) –

A Intel Capital, braço de investimento em empresas da maior fabricante mundial de chips, acaba de fazer dois novos aportes em companhias brasileiras. Os alvos, desta vez, foram negócios voltados ao segmento de moda: o clube de compras Coquelux e a rede social Fashion.me.

Com os investimentos, as companhias pretendem apostar em estratégias de expansão internacional, melhoria de infraestrutura e de processos internos, e diversificação de suas ofertas.

“O comércio eletrônico é um segmento que está crescendo muito rápido nos países emergentes. Estamos apostando muito nele com investimentos na China, na Índia e no Brasil”, diz Arvind Sodhani, presidente mundial da Intel Capital, em entrevista ao Valor.

De acordo com o executivo, a área de moda especificamente apresenta um grande potencial nesses países por conta do aumento da renda da população. “As pessoas querem consumir produtos de grife e marcas famosas. E a internet é o melhor meio para fazer isso, já que nem todo mundo tem condições de ir até as lojas físicas instaladas nos grandes centros”, diz Sodhani.

A Intel Capital não revela os valores investidos, nem as participações adquiridas nas duas companhias. Tradicionalmente, assume participações que variam de 15% a 30% do capital das empresas. O valor médio dos aportes fica entre US$ 2 milhões e US$ 10 milhões, mas pode ser bem maior. Em 2006, a companhia aplicou US$ 600 milhões na Clearwire, provedora de internet em banda larga dos Estados Unidos.

Desde que chegou ao Brasil, em 1999, a Intel Capital investiu US$ 75 milhões em 25 empresas. É pouco mais da metade de todos os recursos aplicados na América Latina no período: US$ 140 milhões em 40 empresas. Entre os negócios que já receberam recursos no Brasil estão companhias especializadas na manufatura de produtos eletrônicos, certificação digital e desenvolvimento de software.

Segundo Pierre-Emmanuel Joffre, fundador e presidente do Coquelux, além do capital, as companhias ganham acesso a uma rede de empreendedores com os quais podem trocar experiências. O executivo afirma que está em discussões com um site de compras coletivas da China para trazer ao Brasil práticas que possam melhorar o desempenho do site.

Com os recursos da Intel Capital, o objetivo da companhia é aprimorar sua eficiência interna e expandir a atuação para além das roupas, apostando em itens de decoração, design e estilo de vida. “Até o fim do ano, a estimativa é que as roupas sejam 50% do negócio, contra 80% hoje”, diz Joffre.

No Fashion.me, a estratégia é a expansão internacional, diz Flavio Pripas, cofundador do site. O primeiro passo nesse caminho será dado no mês que vem, com o lançamento da versão em inglês da rede social. “Diferentemente do Facebook, nós possibilitamos que as pessoas mantenham discussões e interações em torno de um tema específico, neste caso, moda. E isso tem um grande potencial de sucesso”, diz. O site tem um milhão de visitantes por mês no Brasil. Desse total, 97% são mulheres.

Na avaliação de Sodhani, o país se tornará um destino mais frequente de recursos da Intel Capital. Além do crescimento econômico e do amadurecimento do mercado de capitais, o executivo diz que as empresas iniciantes no Brasil estão mais preparadas para apresentar seus planos e discutir investimentos. David Earl Thomas, diretor executivo da Intel Capital na América Latina, acrescenta que também há maior variedade de negócios sendo iniciados no país. “Até pouco tempo, você só encontrava empresas de software, ou que tinham como clientes outras empresas. Hoje, está mais fácil achar companhias inovadoras em diferentes áreas”, diz.

Em 2011, a Intel Capital fez 158 investimentos no mundo, incluindo novas empresas e recursos adicionais para companhias nas quais já tinha participação. O total aplicado foi de US$ 526 milhões. De acordo com Sodhani, o objetivo é investir entre US$ 300 milhões e US$ 500 milhões por ano.

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