03/03/10 – 00:00 > CONSTRUÇÃO (DCI)

Cynara Escobar

SÃO PAULO – O anúncio de novos investimentos do setor industrial – que, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), este ano elevará 14% os investimentos, ante queda de 10,8% no ano passado – está impulsionando empresas de engenharia e construção especializadas neste setor, como CH2MHill, Método Engenharia, Bracor e WTorre, que preveem forte expansão por meio de aquisições, parcerias, novos contratos e abertura de capital.

A norte-americana CH2MHill, que em 2009 sentiu o impacto da crise no setor industrial, que engavetou diversos projetos, este ano já estima triplicar as receitas provenientes de investimentos de empresas das áreas de geração de energia, petroquímica e infraestrutura de portos e aeroportos, como Petrobras, Vale e ThyssenKrupp. Por conta disso, a empresa está estruturando uma nova área, para atuar com mineração. “A expectativa é chegar a uma receita de US$ 30 milhões em 2010”, calcula Pablo Vilela Ibanez, diretor de Operações, no Brasil, da CH2MHill.

A operação brasileira é uma das mais jovens da empresa, uma gigante global que encerrou 2009 com receita de US$ 6,5 bilhões e, 25 mil funcionários, e que realizou no mundo obras como a expansão do Canal do Panamá e as das Olimpíadas de Londres.

Os Estados Unidos representam 65% da receita, mas regiões emergentes, como Oriente Médio e Austrália, começaram a ganhar corpo recentemente. Na América Latina, a empresa já atua há mais de 18 anos na Argentina e no México, por conta de aquisições feitas em outras regiões do globo. “A cada quatro anos, a CH2 faz importantes aquisições globais. Nos últimos dois anos paralisou-as, por conta da crise. Mas agora, por conta do bom desempenho em regiões como Oriente Médio e Ásia, pode voltar a fazer. A América Latina também é um mercado que a empresa considera com bastante apetite”, diz.

Desde 2008, a CH2MHill tem-se estruturado para atuar em territórios dominados por gigantes como Odebrecht, Camargo Corrêa e WTorre, e defende que, por conta disso, foi mais prejudicada pela crise. “Como começamos a nos estruturar em 2008, acabamos escolhendo o momento errado. Mas não deixamos de aplicar nosso plano de negócios e de investir na empresa”, pontua o executivo.

Para acelerar a sua expansão este ano, a empresa diz ter finalizado seu cadastro com a Petrobras, estando certificada a trabalhar para a estatal. “Para a Petrobras fizemos, no ano passado, projetos nas áreas de meio ambiente e de refino. Identificamos grandes oportunidades na área de offshore [engenharia em alto mar], em que somos fortes lá fora. É um plano de médio prazo, a ser executado em até um ano”, diz.

Para atrair ainda mais clientes do segmento de metais e mineração, a empresa criou uma diretoria exclusiva, liderada pelo executivo Carlos Alberto Chaves, que fechou contratos com a Vale e com a ThyssenKrupp. A empresa também busca um executivo para prospectar projetos na área de energia. Uma das apostas da empresa para crescer nestes segmentos é abocanhar projetos ligados à área de meio ambiente, como projetos de tratamento de resíduos químicos ou despoluição de áreas contaminadas. “É uma área em que a nossa marca é forte lá fora e que puxa todas as outras, como energia e petroquímica. Temos recebido muitas consultas”, garante.

A companhia começou a operar no Brasil em 1996, por conta da aquisição global da Lockwood Greene, que no exterior era uma empresa forte em siderurgia, química e petroquímica, mas aqui atuava em um segmento diferente dos que ela pretende atuar agora, de edificações para área industrial e varejo. Atualmente a empresa atua neste segmento de forma oportunista, apenas em projetos pontuais.

Aquisições

De olho na ampliação do seu portfólio de serviços, a Método Engenharia deve anunciar já nas próximas semanas um novo acordo operacional, que permitirá financiar a empresa para a realização de novas aquisições de soluções tecnológicas. “A nova parceira é uma empresa de engenharia norte-americana com atuação no Brasil, que pode trazer tecnologias internacionais, por meio de procurement internacional (aquisição de tecnologias fora do Brasil) para projetos de mineração, metalurgia, química e petroquímica”, afirma Maurício Vizeu de Castro, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Método.

Segundo o executivo, a empresa busca ainda uma outra parceria para reforçar a atuação da companhia na concepção de projetos. “O objetivo é alcançar um crescimento acelerado na prestação dos serviços de engenharia de alta complexidade, por isso estamos buscando parcerias que possam agregar conhecimento e financiamento”, diz.

Segundo o diretor, há diversas empresas interessadas em parceria. “Na semana passada fomos procurados por uma empresa coreana, por exemplo, e por empresas brasileiras de menor porte.” Em janeiro, a construtora anunciou ter comprado 51% da Potencial Engenharia. A negociação permitiu à Método entrar no segmento de montagem e manutenção industrial do setor de óleo e gás, e a credenciou para trabalhar com a Petrobras. Por conta da aquisição, a estimativa era de fechar o 2009 com faturamento de R$ 750 milhões.

Galpões

Com foco na construção de imóveis comerciais sob encomenda e na aquisição de imóveis já existentes para locação por meio de contratos de longo prazo, a Bracor aposta na retomada do setor industrial e já sente expansão nas consultas para a construção de novas plantas. “Até o ano passado, tivemos muita demanda por centros de distribuição. Este ano começamos a ser procurados pelo setor fabril”, afirma Carlos Eduardo Poli Sisti, gerente de Engenharia da Bracor. Atualmente, a empresa está finalizando a construção de centros de distribuição para empresas como Procter & Gamble, Colgate, Hermes e Compra Fácil, nos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro. A concorrente WTorre Empreendimentos anunciou esta semana que pretende captar capital na Bolsa de Valores de São Paulo.

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