Graziella Valenti e Fernando Torres, de São Paulo (VALOR)
    13/08/2010

A principal mudança nesses dois anos foi o motor de crescimento

A crise financeira que ainda abala as economias desenvolvidas já foi apagada dos balanços das companhias abertas brasileiras. Os resultados do segundo trimestre mostram que a receita e o lucro continuam crescentes, seja qual for a comparação. Houve avanço tanto diante do desempenho pré-crise, há dois anos, como em relação a 2009 – e até mesmo frente aos três primeiros meses de 2010.

Levantamento do Valor Data com as 113 empresas abertas que divulgaram resultados até a manhã de ontem aponta lucro líquido de R$ 18,6 bilhões no segundo trimestre, comparado a R$ 13,2 bilhões em igual período de 2009 – alta de 41% – e aos R$ 15,7 bilhões verificados em 2008, antes do agravamento do cenário internacional com a quebra do Lehman Brothers. Por muito pouco, o lucro não bateu o terceiro trimestre de 2008, ápice da excelente fase pré-crise.

“Essa safra de balanços foi muito consistente, principalmente quando observamos as vendas”, destacou Carlos Sequeira, analista do BTG Pactual. A receita líquida das companhias avaliadas subiu 22,2% na comparação anual, para R$ 144,3 bilhões.

A principal mudança nesses dois anos foi o motor de crescimento. Até 2008, embora a economia doméstica estivesse bem, as exportadoras puxavam os resultados. Agora, a grande estrela dos balanços é o mercado interno aquecido. “A confiança no país só aumentou”, diz Sequeira. “Os números surpreenderam positivamente em alguns casos”, avalia Cida Souza, estrategista da Itaú Corretora.

O ritmo de expansão também permitiu aumento nas margens, pois eventuais elevações de custo foram repassadas ao consumidor. A margem bruta, que consolida o efeito dos custos, ficou em 37,4% no segundo trimestre e a líquida, em 12,9%. Com isso, os indicadores praticamente se igualaram ao do mesmo período de 2008. Frente ao segundo trimestre de 2009, o avanço foi de quase cinco e dois pontos, respectivamente.

Além disso, as empresas acumularam ganhos de eficiência obtidos com os enxugamentos na crise. O crescimento do lucro líquido só não foi maior porque muitas companhias tiveram piora na conta financeira. Enquanto o lucro operacional antes resultado do financeiro cresceu quase 130%, para R$ 30,2 bilhões, as empresas tiveram despesa financeira líquida de R$ 4,9 bilhões, ante um ganho de R$ 5,5 bilhões obtido com a valorização do real de março a junho de 2009.

O otimismo com a economia brasileira se traduziu no aumento das projeções para o ano e também da dívida, já que as empresas estão investindo para ampliar a capacidade. A dívida líquida das companhias analisadas cresceu 13,5% frente a março, para R$ 159,4 bilhões.

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