O luxo pelo luxo definha

17/07/2013

Existe uma diferença abismal entre o luxo pelo luxo, e o luxo decorrente da qualidade. O luxo pelo luxo passa pelo encantar-se com grifes e marcas de ocasião, via de regra apadrinhadas e adotadas pelas celebridades de plantão e que sustentam pegando carona nas próximas celebridades. Já o luxo genuíno insere-se na definição primorosa do poeta inglês JOHN KEATS contida em seu poema ENDYMION, “A thing of beauty is a joy for ever: its loveliness increases; it will never pass into nothingness…”. Assim, existe uma narrativa consistente, lastreada em valores e autenticidade, no verdadeiro luxo.

De qualquer maneira, e no Admirável Mundo Novo Plano, Líquido e Colaborativo, as pessoas estão revendo radicalmente seus valores. E incorporando às suas vidas e comportamentos o MENOS É MAIS. Em suas cabeças uma pergunta cresce dia após dia: o que de verdade preciso para ser feliz? O quanto preciso? Como preciso? Quando preciso? Para que preciso? Onde preciso? E por aí vai. E sempre descobrem que exageraram e que se deixaram cegar, que se inundaram de inutilidades e de supérfluos. E que, e daqui para frente, MENOS É MAIS. Mais que na hora de facilitar a vida; mais que na hora de abrir espaços; mais que na hora de livrar-se de carga inútil, mais que na hora de ganhar leveza e mobilidade.

Isso posto, em todos os próximos anos, quase todos os dias, os funerais de grifes e marcas de ocasião. E as manifestações fazem-se presentes nas plataformas analógica e digital.

Em matéria da BLOOMBERG as primeiras notícias do debacle. De início, atingindo todas as grifes. O processo seletivo – quem sobrevive, quem derrete – vem na sequência: “Várias empresas como a LVMH e a PRADA divulgaram desaceleração nas vendas neste ano, afetadas pelo esfriamento da economia chinesa e a crise no mercado europeu”, ou, conforme declarou GILDO ZEGNA, CEO da empresa que leva o nome de sua família, “Não traz tranquilidade a ninguém a onda de protestos nos países. As marcas de luxo têm de ser extremamente capazes para administrar a complexidade”.

Na cabeça dos principais executivos das grifes trata-se, exclusivamente de uma crise pontual, conjuntural. NÃO É. É ESTRUTURAL. O ambiente está se modificando por completo e as pessoas reveem radicalmente seus valores; e assim, ou migram e se adensam no território do LUXO DE QUALIDADE, ou serão varridas do horizonte em questão de anos. Precisa ver, no entanto, se possuem lastro suficiente para a migração. A maioria não possui. Adeus.

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