Os comitês de auditoria e as novas regulações ampliam o foco da supervisão que vão além dos dados financeiros, como denúncias, segurança e corrupção.


 

Trabalho de comitês de auditoria hoje vai muito além de supervisionar relatório financeiro

Por Michael Rapoport e Joann S. Lublin (WSJ)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015 00:03 EDT

Com os novos riscos se multiplicando, o comitê de auditoria se transformou na “gaveta de quinquilharias da cozinha” para muitos conselhos corporativos.

A carga de trabalho desses comitês poderosos cresceu muito além de sua função principal de supervisionar o relatório financeiro da empresa. Eles estão lidando com novas regulações, alegações de denúncias e questões como segurança cibernética e corrupção em outros países. Além disso, a SEC, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos, deve sugerir novas regras no fim de março exigindo que esses comitês revelem mais sobre suas atividades.

“Ele não é o comitê favorito”, diz Fredric Reynolds, diretor financeiro aposentado da CBS Corp. CBS +2.80% e presidente do comitê de auditoria da Mondelez International Inc. MDLZ +0.84% Para atrair membros ao comitê, às vezes ele promete temporadas pequenas no cargo: “você será liberado por pena cumprida e bom comportamento”, diz ele aos diretores.

Reynolds estima que ele gasta mais de 100 horas por ano no comitê de auditoria da Mondelez. Uma parte essencial é a supervisão feita pelos comitês de auditoria das queixas apresentadas em denúncias, uma exigência da lei Sarbanes-Oxley, de 2002. A grande maioria é de pessoas frustradas com seus colegas de trabalho, segundo ele. Mas quando há fumaça, “você não sabe se é fogo”.

A velocidade e a complexidade dos negócios e a supervisão de seus riscos “estão ampliando e pressionando a agenda de muitos comitês de auditoria”, segundo uma pesquisa global de membros de comitês de auditoria divulgada na semana passada pela consultoria KPMG. Cerca de 75% dos 1.500 membros consultados que responderam disseram que o volume de tempo exigido para desempenhar suas responsabilidades aumentou pelo menos “moderadamente” nos últimos dois anos.

Participar de um comitê de auditoria “tem tomado mais tempo do que eu esperava”, diz um ex-diretor de finanças de uma indústria de tecnologia que faz parte do conselho de um banco regional.

Em agosto, ele se tornou diretor-executivo interino de uma empresa aeroespacial de capital fechado e disse que alertou o banco que não tinha tempo suficiente para os dois papeis. Mas, segundo ele, o presidente do conselho de administração do banco lhe ele: “Nós queremos que você fique envolvido no comitê de auditoria”. Ele revela que desde então já faltou a duas reuniões do conselho.

Alguns conselhos parecem ver o comitê de auditoria como um lugar que lida com qualquer problema de supervisão interna, mesmo que esteja fora do alcance tradicional do comitê.

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