GESTÃO DE RISCOS E CONTROLES INTERNOS

GESTÃO DE RISCOS E CONTROLES INTERNOS NA AGENDA DAS EMPRESAS

O processo de gestão de riscos vem conquistando cada vez mais importância no ambiente empresarial e o mercado brasileiro tem mostrado relevante grau de maturidade quanto à formalidade e à estruturação desse processo, agregando qualidade ao seu ambiente de controles internos, porém ainda há necessidade de evolução.

“Está na agenda hoje assegurar que os processos e controles sejam realizados em conformidade com as regras estabelecidas. Há um fortalecimento e maior rigor no cumprimento das regulamentações, além de nível elevado de cobrança e transparência dos Conselhos de Administração”, argumenta Leonardo Moretti, diretor da área de Risk Advisory da Deloitte.

Alex Borges, sócio da mesma área na empresa, completa: “as companhias, cada vez mais, estão analisando seus riscos institucionais (de imagem, reputação, estratégicos, cibernéticos, financeiros e etc.) através de seus instrumentos de gestão e de controle, para que eventuais riscos sejam mitigados”.

Levantamento realizado pela Deloitte – com base em formulários de referência divulgados ao mercado pelas companhias e disponibilizados no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) – abordou as principais organizações de capital aberto do Brasil nos seus diferentes níveis de Governança Corporativa (Nível 1, Nível 2 e Novo Mercado) e em distintas indústrias.

De forma a analisar como a gestão de riscos e o processo de controles internos estão efetivamente implementados nas organizações, a análise apontou que a maioria das empresas listadas no Nível 1 ou Nível 2 já apresentam políticas de risco formalizadas, enquanto essas práticas vêm sendo implementadas e fortalecidas nas empresas listadas no Novo Mercado. Borges complementa: “a prática está em processo de evolução na gestão empresarial das organizações, nas quais as definições vêm sendo melhor estabelecidas e alinhadas ao apetite e tolerância aos riscos empresariais”.

DESAFIOS E PAPEL DA ALTA ADMINISTRAÇÃO

Quanto aos desafios que as empresas têm enfrentado para implementação da gestão de riscos e controles internos, Leonardo Moretti alerta que o grande desafio é que órgãos de governança reconheçam o real valor dessas áreas para os negócios. “É fundamental que vejam o trabalho desenvolvido como diferencial, que pode levar a empresa a outro patamar de gestão no processo de riscos e controles”, comenta.

Moretti argumenta também que a instituição alcança um programa eficaz de gestão de riscos e de controles internos quando a alta administração direciona esforços para isso. “Quando não há muito patrocínio da elite do grupo com relação a estas funções ela não acontece na prática, fazendo com que os resultados gerados não sejam efetivos. A alta administração tem que comprar a ideia e fazer acontecer, tem que acreditar que esse programa vai agregar valor ao negócio.”

Segundo Alex Borges, para que a gestão de riscos e de controles internos seja eficaz e assegure a adequada tomada de decisão e de transparência ao mercado, são necessários:

  • processo de aculturamento contínuo;
  • compreensão do valor da gestão de riscos e controles internos pela alta administração e órgãos de governança;
  • definição clara do apetite e tolerância a riscos e a formalização da política de riscos;
  • processo de gestão de riscos adequado à realidade do negócio (não há processo comum a todas as organizações);
  • entendimento do que deve ser reportado e a quem se reportar.

Walmart e Google podem substituir bancos

Walmart e Google podem substituir bancos


Wal-Mart e Google poderiam roubar clientes jovens de bancos tradicionais


Walmart e Google podem ‘roubar’ clientes de bancos

Tecnologia permite que empresas ofereçam serviços similares ao do setor tradicional atraindo o público mais jovem

Por Agências

Danielle Douglas 
THE WASHINGTON POST

Antigamente, os JPMorgans do mundo só temiam perder clientes para o Wells Fargo ou o Bank of America. Mas esse universo de competidores cresceu para incluir T-Mobile, Walmart, Google, e uma série de companhias de varejo, tecnologia e telecomunicações que já estão operando como bancos.

Estas iniciantes estão entrando no mundo bancário com cartões de débito pré-pagos que os consumidores podem usar para pagar contas, fazer compras e depositar cheques via câmera do celular – todas as coisas que podem fazer com sua conta corrente tradicional. E estão despertando o interesse de um grupo altamente cobiçado pelos bancos tradicionais: os jovens.

As empresas de pagamentos móveis ainda enfrentam alguma dificuldade para convencer o consumidor médio dos EUA que os pagamentos por celular constituem um serviço melhor. Para conquistá-los, as operadoras tentam responder às preocupações de segurança e atrair o grupo dos mais jovens que estão abertos a experimentação.

Uma nova pesquisa com quase 4 mil americanos feita pela Accenture revelou que 72% das pessoas entre 18 a 34 anos operariam com Walmart, Google ou T-Mobile se estes oferecessem serviços bancários.

Das quase 20 empresas sobre as quais os pesquisadores perguntaram, as pessoas se mostraram mais dispostas a contratar operadoras de pagamentos móveis como Square e PayPal em razão das relações que já mantêm com elas. Quase um terço dos pesquisados disse o mesmo sobre T-Mobile, Costco, Apple e Google.

Estas companhias possuem algumas coisas que poderiam realmente colocar uma ameaça aos bancos: uma base de clientes existente, escala, e a capacidade de adotar rapidamente novas tecnologias.

Considerem a T-Mobile, que tem 49,1 milhões de clientes sem fio, uma base estabelecida para a empresa de telecomunicações oferecer seu cartão de débito pré-pago. Muitos desses clientes usam telefones sem fiopré-pagos da T-Mobile (15,5 milhões) pelas mesmas razões que tornam os cartões pré-pagos atraentes: não há verificação de crédito nem contrato de longo prazo.

E com mais pessoas usando seus telefones móveis para transferir dinheiro ou tirar fotos de seus cheques para depositá-los, ter o mesmo provedor administrando a maioria dos passos nesse processo pode ser um atrativo.
Os pagamentos em todo o mundo feitos via telefone celular deverão aumentar 38% este ano para US$ 325 bilhões, em comparação com 2013, de acordo com a consultoria Gartner.

Em 2016, a região do Pacífico Asiático deverá ter o maior mercado do mundo no segmento de celulares, e as transações de pagamento por meio do aparelho deverão alcançar os US$ 165 bilhões, de acordo com o mesmo levantamento. Em seguida aparece a África, onde as transações devem atingir os US$ 160 bilhões no mesmo período. Os Estados Unidos ficarão em terceiro lugar e a Europa Ocidental em quarto.

Varejo
O grande fator transformador para bancos tradicionais é a lenta expansão do Walmart na atividade bancária de consumo. A maior cadeia de varejo do mundo ofereceu preços baixos todos os dias para desconto de cheque, transferências de dinheiro e contas correntes nos últimos anos.

Quando o Walmart se associou ao American Express para lançar o cartão pré-pago Bluebird como uma alternativa de baixo custo às contas correntes, a dupla atraiu um milhão de clientes em menos de um ano.

O Walmart lutou para conseguir uma carta bancária alguns anos atrás, mas foi frustrado por lobistas que foram radicalmente contra a varejista competir com os bancos tradicionais. Mas o Walmart pode estar rindo por último ao colher os benefícios de ser um banco sem as dores de cabeça de ser um banco regulamentado.

Estas ameaças externas estão chegando num mau momento para os bancos. Crescimento lento e custos regulatórios altos continuam a pressionar o retorno dos bancos sobre o capital, uma medida da capacidade do banco para extrair lucros do dinheiro de acionistas. E apesar da alternativa de tecnologia de pagamento poder interessar à unidade digital de um banco, a divisão de cartões deve temer que isso canibalize a receita, segundo pesquisadores da consultoria Accenture.

Os bancos já têm um pé no mundo digital, como vastas quantidades de clientes e dados de transações, e experiência em segurança, obediência dos regulamentos e processamento de pagamentos – que são difíceis de reproduzir, disse a Accenture. Mas os pilares que um dia sustentaram o setor muito acima do chão e longe de competidores de fora estão começando a ruir aos poucos.

/TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK  (ESTADO)

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Consultoria pega carona na expansão do País

27/01/10 – 00:00 > CONSULTORIA
Consultoria pega carona na expansão do País
Cynara Escobar SÃO PAULO – A expansão da economia brasileira e demandas do segmento de médias empresas para adequação ao padrão contábil internacional e à informatização tributária devem expandir em até 25% os negócios das consultorias contábeis Deloitte, Confirp e BDO.

Após uma freada no ritmo de crescimento da operação brasileira em 2009, a consultoria Deloitte vê em 2010 o ano da retomada, com uma expectativa de 25% de crescimento, retornando aos índices registrados entre 2002 e 2008 no Brasil.

O otimismo é decorrente das boas perspectivas futuras projetadas para a economia, em diversos segmentos empresariais, ante o decréscimo recente em reflexo da crise internacional, que impactou negócios da companhia globalmente. Em 2009, a empresa registrou alta de 15%, o que significa uma leve recuperação em cima do desempenho registrado no ano anterior, de 13%.

“[este ano] O crescimento decorrerá dos investimentos previstos para eventos esportivos, que trarão empresas estrangeiras ao País, à consolidação de setores empresariais, aquisições de estrangeiros no Brasil e à profissionalização de empresas de médio porte”, declarou Juarez Lopes de Araújo, presidente da Deloitte no Brasil. Na área esportiva, a consultoria vê oportunidades em atividades ligadas à diagnóstico de eventos, definição de projetos de estádios e captação de funding.

As áreas de maior crescimento em 2010 serão Auditoria, Finanças Corporativas e Manufatura, por conta da demanda gerada pela adoção do Padrão Contábil Internacional (IFRS, na sigla em inglês), que passou a valer a partir deste mês, fusões e aquisições e pela forte expansão do setor industrial, iniciada com os anúncios de investimento feitos pelas empresas no fim de 2009. “A área financeira ficará aquecida por conta da expansão do mercado de ações, com aberturas de capital, fusões e aquisições”, avalia.

A adoção do padrão internacional mundialmente está levando a consultoria a ‘exportar’ auditores a países que estão se preparando para atender a esta demanda. “Estamos exportando líderes para ensinar IFRS no Canadá e nos Estados Unidos, países que estão atrasados nessa área”, afirma Juarez.

Até o momento, mais de cem países exigem ou permitem o uso das normas do Padrão Contábil Internacional, incluindo 8 mil empresas dos 27 países da União Europeia. Em 2011 o grupo terá ainda o Japão, Coreia, Índia e Canadá. Os Estados Unidos e o Japão têm o compromisso de se adequar ao padrão internacional de contabilidade até 2011, segundo o International Accounting Standards Board (Iasb), organismo independente, que emite normas contábeis internacionais. Em setembro de 2009, o compromisso com a implementação global do IFRS foi reforçada em uma reunião do G-20, em Pittsburgh, nos Estados Unidos.

Empresas médias

Se a grande demanda de atualização ao IFRS esteve concentrada nas empresas de capital aberto e nos conglomerados com faturamentos superiores a centenas de milhões, para os próximos anos, a consultoria prevê uma expansão no segmento de empresas médias. Por conta dessa expectativa, este ano a firma criou uma divisão de auditoria para atuar no mercado de médias empresas. “O mercado de empresas auditadas irá crescer no Brasil por conta das mudanças que estão sendo implementadas na área de demonstrações financeiras. A estruturação de operações de empresas de médio porte também estará aquecida”, afirma Juarez.

Ainda no setor de médias empresas, a Confirp Contabilidade, que este ano prevê crescer 15%, apresentou expansão no atendimento às demandas geradas pela informatização das cobranças de tributos federais e estaduais, com a implementação do Sistema Público de Escrituração Digital (SPED), que as obriga a fornecer informações por meio de modo eletrônico aos órgãos governamentais de fiscalização.

A consultoria encerrou 2009 com um crescimento de 25% em suas operações e de 11% em sua base de clientes, totalizando 994 empresas. “Investimos em tecnologia e treinamento para atender demandas geradas pelas demandas criadas pela implementação da Nota Fiscal Eletrônica, do SPED fiscal e contábil, da fiscalização tributária exigida pelo governo do estado de São Paulo e muitas outras”, relata Richard Domingos, diretor executivo da Confirp.

Para atender à implantação de sistemas de contabilidade fiscal, o escritório ampliou a área de terceirização, que hoje representa 30% do faturamento do escritório, criando uma demanda nova, de suporte técnico. “Acompanhamos a tendência dos governos federais e estaduais, de sofisticar a área de tributos e criamos uma estrutura técnica, que proporcionou a captação de muitos clientes. Investimos R$ 1 milhão de reais em tecnologia e treinamentos e montamos uma área de outsourcing, que faz contabilidade e presta o serviço dentro da plataforma do cliente”, diz.

Segundo o executivo, o retorno obtido com o investimento foi a aquisição de novos clientes e maior rentabilidade nos novos contratos. “Fechamos contratos com clientes maiores, que trabalham com a plataforma ERP e implantamos sistemas, que ajudaram a fidelizar este cliente”, explica o diretor.

Em 2010, a empresa projeta um crescimento de 15%, para dar mais foco ao desenvolvimento da nova operação, aos controles e procedimentos internos. “Nossa perspectiva é desenvolver a estrutura para que ela amplie sua capacidade produtiva, com troca de sistemas, treinamento, melhoria da comunicação”, diz.

A empresa também afirma ter apostado em contratações para atender a demanda para as empresas fazerem a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), que era semestral e passa a ser mensal.

A medida é válida para todas as empresas de lucro presumido, isentas ou imunes e passou a valer a partir de 1º de janeiro de 2010. Empresas cadastradas no Simples Nacional não estão incluídas na regra. “Por conta dessa modificação, estamos contratando mais seis funcionários. Isso impacta cerca de 60% dos nossos clientes”, declara Richard Domingos.

Sescon

Na área contábil, o empresário José Maria Chapina Alcazar foi reeleito, até 2012, presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis de São Paulo (Sescon). A nova diretoria da entidade tomou posse no início do mês.