Maior fundo de hedge do mundo, a Bridgewater Associates faturou alto para seus investidores nos últimos anos com suas apostas pessimistas sobre boa parte da economia mundial. E a firma de fundos de hedge não tem quaisquer planos de mudar sua visão sombria neste ano novo.


Jesse Neider for The Wall Street Journal

Robert Prince, sócio e codiretor-presidente de investimentos da Bridgewater, na sede da empresa em Westport, Estado de Connecticut


Robert Prince, codiretor-presidente de investimentos da Bridgewater, e os executivos da maior firma de fundos de hedge do mundo se preparam para pelo menos uma década de crescimento lento e desemprego alto nas economias dos países ricos. Prince descreve essas economias — especialmente os Estados Unidos e a Europa — como “zumbis” e diz que elas continuarão assim até conseguirem eliminar suas montanhas de dívidas.

“O que vemos é um cenário de sistemas econômicos quebrados e operando na UTI”, diz Prince. “Estamos vivendo uma desalavancagem histórica que provavelmente levará 15 a 20 anos, e só estamos no quarto ano.”

Na Europa, “a crise de dívida ainda está longe de terminar”, diz ele. A crise financeira e econômica significa que os juros dos EUA e da Europa ficarão praticamente no zero durante anos.

Neste cenário desolador, Prince diz que as ações continuam vulneráveis a “correntes de ar” causadas por choques como más notícias na Europa. Mas para os investidores de longo prazo de olho na próxima década, diz ele, investir em ações pode ser uma boa alternativa. Dá para faturar até com Treasurys, apesar dos juros batendo recorde de tão baixos, e o ouro provavelmente voltará a subir enquanto os bancos centrais imprimem dinheiro para impulsionar suas economias, diz Prince.

Os pontos de vista da Bridgewater são acompanhados atentamente por outros investidores, devido ao status elevado da empresa no mundo competitivo das aplicações em fundo de hedge. O principal fundo da Bridgewater, o Pure Alpha Strategy Fund, é considerado um dos melhores do mundo.

O fundo estava em alta de 25% em novembro desde o início do ano, segundo pessoas a par da situação. Os fundos macro caíram em média 3,7% no mesmo período, segundo a Hedge Fund Research.

O fundo da Bridgewater está posicionado atualmente para a alta do ouro, a valorização das moedas dos países emergentes da Ásia e o rendimento menor nos mercados de títulos de dívida soberana de países de baixo risco, diz Prince.

A firma lucrou em 2011 com aplicações em ouro, mas recuou do investimento no terceiro trimestre. Ela também passou de uma visão pessimista sobre os Treasurys no início do ano para aplicações com vista a uma alta nesses papéis. A firma também se beneficiou da alta nos principais mercados europeus de títulos de dívida e escapou dos fortes prejuízos dos outros fundos macro, que tinham apostado na desvalorização do euro perante o dólar. Em vez disso, a Bridgewater apostou corretamente na desvalorização do euro em relação ao iene.

Fundada em 1976 por Ray Dalio, a Bridgewater administra US$ 125 bilhões e tem 1.400 empregados. Prince, de 53 anos, entrou na firma em 1986. Entre os clientes da Bridgewater estão instituições como fundos de pensão e de dotação, juntamente com governos e bancos centrais estrangeiros.

O Pure Alpha subiu todos os anos desde 2000 e só teve três anos em baixa desde 1991. O fundo propiciou um retorno de 9,4% depois de comissões em 2008 e depois de uma alta 2% em 2009 — a menor em uma década — obteve retorno de 44,8% em 2010.

Numa sala de reuniões na sede da Bridgewater, em Westport, no Estado americano de Connecticut, Prince desenhou um quadro preocupante sobre os desafios das economias dos EUA e da Europa.

As notícias recentes sobre a economia americana, melhores que as previstas, não devem marcar o início de uma expansão saudável, diz ele. A retomada do crescimento econômico têm sido alimentada pelo declínio da poupança, algo que não deve ser sustentável no longo prazo sem expansão na renda e no emprego, pois o crescimento da oferta de crédito no longo prazo também continua fraco, diz ele.

Enquanto isso, a Europa está a caminho de uma recessão possivelmente profunda, com os políticos de mãos atadas por uma crise interconectada dos bancos e das dívidas soberanas. “Há bancos insolventes dando suporte a governos insolventes e nações insolventes dando suporte a bancos insolventes”, diz ele.

O gestor acredita que os preços do ouro devem voltar a subir em meio à contínua impressão de dinheiro por parte da Reserva Federal dos EUA e outros bancos centrais. Esses esforços efetivamente desvalorizam as moedas desses países em comparação com o ouro, diz Prince.

Prince também acredita que as ações são um investimento atraente em uma perspectiva de longo prazo, especialmente em comparação com títulos de dívida ou dinheiro.

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